Na peça, Lara e Edu voltam da lua de mel no Copacabana Palace direto para um apartamento alugado no Catete e descobrem que o casamento começa depois da festa. Na vida, os atores que os vivem conhecem bem o roteiro: casados desde 2023, Larissa Manoela e André Luiz Frambach sobem ao palco juntos pela primeira vez em "Descalços no Parque", comédia de Neil Simon com tradução, adaptação e direção de Guilherme Weber, em cartaz no Teatro Clara Nunes.
A montagem transporta a trama para o Rio de Janeiro dos anos 1950. Edu, advogado recém-formado, introvertido e polido, e Lara, otimista de espírito livre, tentam se encaixar na vida de casados num prédio sem elevador, com a ajuda incômoda de um vizinho excêntrico, Sr. Velasco (Claudio Mendes), da mãe da noiva, Dona Miranda (Flávia Reis), e de um técnico de telefone intrometido, Paulinho Cuíca (Diego de Abreu). Um encontro às cegas entre Velasco e Dona Miranda amplia os conflitos da vida a dois.
A trilha sonora, recheada de pérolas da bossa nova e do samba-canção mergulha na atmosfera dos anos dourados e faz da cidade tanto o cenário da história quanto uma perspectiva de memória. "Astuta e hilária, 'Descalços no Parque' explora os descalabros da intimidade, a distância entre o autoengano e a verdade e o quão engraçada é a vida a dois quando podemos ter uma certa distância para observá-la. É também um profundo elogio ao diálogo em um mundo tomado por surdez emocional. Esta peça é uma homenagem à comédia como forma sublime de refletir sobre o amor", define Weber.
"O meu reencontro com o teatro acontece sempre em momentos muito especiais da minha trajetória artística, e agora não é diferente. É uma alegria poder estar dividindo o palco com o André. A gente já é parceiro há muito tempo — parceiro de vida e profissionalmente —, mas nunca tivemos a oportunidade de subir ao palco juntos. Inclusive, no nosso mais recente projeto, a gente sequer contracenou. E estamos falando de uma história que é uma delícia, pois é muito bom poder tratar de assuntos que falem de coisas do coração com humor, com leveza, mas que toquem as pessoas. Eu espero que o público saia muito emocionado do nosso espetáculo", destaca Larissa.
"Estar no palco de teatro é sempre um exercício muito potente para um ator. Eu gosto muito, é um aprendizado diário — não existe uma sessão que seja igual à outra. Todo dia a gente aprende um pouquinho: aprende em cena, aprende com a plateia", diz Frambach, que também assina a produção associada ao lado de Larissa, Weber, Bruna Dornellas e Wesley Telles. "Quando decidimos encarar esse desafio de viver esse projeto, seja como atores, seja como produtores, a história nos cativou logo de cara. O texto é muito bom, é um clássico hollywoodiano, escrito por Neil Simon", comenta ele.
O paralelo entre ficção e biografia atravessa a obra desde a origem. Simon escreveu a peça inspirado no próprio casamento com Joan Baim. Em sua introdução à coleção "A Comédia de Neil Simon", o dramaturgo conta o incidente fundador: nos primeiros anos de matrimônio, a esposa atirou nele uma costeleta de vitela congelada porque as palavras já não davam conta de uma discussão amarga. "Um leve sorriso cruzou meu rosto", escreveu ele. O riso, aliás, sempre funcionou como bálsamo para Simon: nascido em Nova Iorque em 1927, cresceu durante a Depressão, quando a crise financeira tensionou o casamento de seus pais, e buscou na comédia o refúgio que atravessa suas peças semiautobiográficas.
Em 1963, "Descalços no Parque" estreou na Broadway e acumulou mais de 1.500 apresentações, tornando-se uma das dez peças não musicais de maior longevidade na história da Broadway e um clássico instantâneo da comédia romântica. Em 1967, virou cinema com Jane Fonda e Robert Redford, arrecadando US$ 30 milhões com orçamento de US$ 2 milhões. O Brasil conheceu a peça cedo: em 1964, Cecil Thiré e Helena Ignez protagonizaram montagem dirigida por Ziembinski; em 1990, Lídia Brondi e Thales Pan Chacon encabeçaram nova encenação, ao lado de Miriam Pires e Edney Giovenazzi, com tradução de Flávio Marinho e direção de Ricardo Waddington.
SERVIÇO
DESCALÇOS NO PARQUE
Teatro Clara Nunes (Shopping da Gávea - (Rua Marquês de São Vicente, 52)
Até 28/11, quintas e sextas (20h), sábados (16h e 20h)
Ingressos entre R$ 50 e R$ 25 (meia) e R$ 220 e R$ 110 (meia)
Menu