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Violência e reconstrução

Guilherme Logullo reviveu traumas da relação paterna para compor a dramaturgia do solo | Foto: Dan Coelho/Divulgação

Guilherme Logullo retorna ao Rio com 'Pai', solo sobre traumas paternos, após turnê internacional

Guilherme Logullo volta aos palcos cariocas com "Pai", solo teatral que explora traumas herdados de relações com figuras paternas abusivas. Após quatro temporadas e uma turnê internacional que passou por Armênia, Turquia e França, o espetáculo chega para uma curta temporada no Rio de Janeiro no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana.

Dirigido pelo armênio Arthur Makaryan, talento da Broadway, a peça propõe uma experiência cênica íntima e impactante. Em cena, Logullo dá vida a um homem isolado em um espaço cru, onde passado e presente se fundem em uma jornada marcada por violência, silêncios, gestos de controle e raras demonstrações de afeto. A narrativa convida o espectador a refletir sobre o impacto das ausências e violências paternas, oferecendo simultaneamente um caminho de reconstrução e possibilidade de cura.

O solo costura memórias íntimas com elementos do teatro do absurdo, da dança Butoh e da autoficção, criando uma linguagem cênica que mistura o pessoal com o universal. Logullo explica sua motivação: "Quis trazer à tona o espetáculo para dar novos significados às vivências paternas violentas e difíceis que enfrentei em minha vida. De alguma forma, transformando isso em arte, em teatro, eu ganho força, libertação e clareza de tudo que vivi. Muito além de expor e compartilhar tais experiências, o objetivo é provocar mudanças e gerar aprendizado".

A obra já acumulou reconhecimento crítico. Logullo recebeu indicação na categoria Melhor Solo no Prêmio Arcanjo de Cultura, indicação de Melhor Ator no Prêmio Cenyn e o selo "O Teatro me Representa" na categoria Melhor Monólogo. O reconhecimento reflete a potência estética e emocional da montagem, que transforma vivências reais em linguagem teatral provocadora.

Além de protagonista, Logullo atua como diretor e produtor da peça. A equipe técnica inclui cenografia de Marieta Spada, figurinos de Karen Brusttolin, desenho de luz de Paulo Denizot e música original de João Paulo Mendonça. A realização é da Luar de Abril.

Atualmente, Logullo está à frente de outras produções em cartaz, como "O Adorável Trapalhão" e "O Céu de Bibi Ferreira", consolidando sua atuação tanto como intérprete quanto produtor no cenário teatral carioca. Com "Pai", o artista reafirma seu interesse em narrativas que transformam experiências pessoais em reflexão coletiva, oferecendo ao público um espaço de reconhecimento e possibilidade de ressignificação de traumas.

SERVIÇO

PAI

Teatro Gláucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s/nº, Copacabana)

Até 29/4, às quartas-feiras (20h)

Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)