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Número da resiliência

'Vinte', um exercício de história decolonial idealizado por Tainah LOngras | Foto: Ira Barillo/Divulgação

A principal pedida desta quinta-feira no Festival de Curitiba rola às 20h30, no Teatro Cleon Jacques: "Vinte!", projeto idealizado por Tainah Longras, que integra o elenco e se divide na criação da dramaturgia com Mauricio Lima. O espetáculo se baseia na reivindicação ficcional da memória dos movimentos artísticos negros dos anos 1920 no Brasil. A partir de uma crítica à peça "Tudo Preto" (1926), da Companhia Negra de Revistas, esse exercício de História (e de combate decolonial) constrói uma relação poética com a cidade do Rio de Janeiro, com as artes e com o tempo, a partir de uma perspectiva negra e contemporânea.

Tainah divide a cena com AfroFlor, Felipe Oládélè e Muato e Tainah Longras. A interlocução de direção se deu com a bamba Ana Kfouri. Antes, às 18h30, no Teatro José Maria Santos, tem "A Boca Que Tudo Come Tem Fome (Do Cárcere Às Ruas)", da Companhia Heliópolis. A encenação se debruça sobre uma pergunta: "O que significa recuperar a liberdade?". Na dramaturgia, seis pessoas que passaram pelo sistema prisional brasileiro têm suas trajetórias entrelaçadas. Diante das dificuldades de reinserção social e reconstrução da própria vida, cada uma delas, a seu modo, tenta encontrar uma saída. Exu, o orixá das encruzilhadas, que destranca os caminhos, aparece como se fosse uma presença provocativa ao despertar naqueles sujeitos a fome de novos começos e a avidez por dignidade. (R. F.)