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Perturbações em cena

Leandro Soares, André Dale e George Sauma unem seus talentos em 'A Coisa', um espetáculo provocativo | Foto: Ricardo Brjterman/Divulgação

Imagine acordar e não conseguir mais mover um único músculo do rosto. Nenhuma expressão, nenhum sinal, nenhuma forma de expressar sentimentos. Esse é um dos pesadelos lúcidos que "A Coisa" coloca em cena — e talvez o mais perturbador deles, porque toca exatamente onde dói: na fragilidade da presença humana, naquilo que somos quando ninguém mais consegue nos ler.

Três temporadas, cinco indicações e o Prêmio de Humor do FITA 2025 depois, o espetáculo reestreia no Teatro Gláucio Gill nesta quarta (25) e segue em cartaz até 1º de maio. Em paralelo, a montagem percorrerá palcos do estado pelo Circuito Sesc Pulsar: São João de Meriti (6/3), Quitandinha (7/3), Madureira (14/3), Teresópolis (20/3), Valença (10/4), Ramos (24/4) e São Gonçalo (7/5).

"A Coisa" é uma criação da trinca formada pelos atores André Dale, George Sauma e Leandro Soares — três artistas que somam décadas de palco, telas e streaming, e que escolheram se encontrar justamente aqui, nesse território instável onde o absurdo e a comédia se tornam instrumentos de investigação filosófica.

Sauma é o músico e ator que o Brasil conheceu como Tatalo em "Toma Lá, Dá Cá" e como um Roberto Carlos de cinema no longa de Mauro Lima — além de ter ganhado recentemente o Prêmio Bibi Ferreira como ator coadjuvante no musical "Alguma Coisa Podre". Soares criou a sitcom "Vai Que Cola" e séries para a Netflix. Dale acumula direção, dramaturgia e uma trajetória nos palcos e no audiovisual.

Dividida em três atos — "A Coisa", "O Enigma" e "A Máscara" — a peça opera numa realidade ligeiramente deslocada da nossa, naquele milímetro de distância que separa o reconhecível do inquietante. O teatro é o tema, mas também é método: a luz, a coxia, a projeção, os bastidores tornam-se personagens. "Se o teatro nos ensina que a vida é efêmera, assim como ele, também nos ensina que a única arma contra a finitude é o agora", argumenta Leandro Soares, autor do texto.

Num tempo em que a identidade virou performance, a verdade virou disputa e o rosto virou filtro, "A Coisa" chega com a perturbadora verdade de quem não precisa gritar para ser ouvido. O humor é a porta de entrada. O que vem depois é por conta do espectador.

SERVIÇO

A COISA

Teatro Gláucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde s/nº - Copacabana)

Até 1/4, sempre às quartas (20h)

Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia)

Circuito Sesc Pulsar: São João de Meriti (6/3), Quitandinha (7/3), Madureira (14/3), Teresópolis (20/3), Valença (10/4), Ramos (24/4) e São Gonçalo (7/5)

Ingressos: R$ 15, R$ 7,50 (meia) R$ 13,50 (convênios); R$ 10,50 (associados Sesc e dependentes) e grátis (PCG)