Sábado será o desfecho de Locarno, com a premiação anunciada no início da tarde da Suíça, ali pelas 9h do Brasil, que concorre ao Leopardo de Ouro com o thriller queer "A Margem do Rio", de Enock Carvalho e Matheus Farias, frente a uma leva de experimentos existencialistas sobre identidade e responsabilidade. Os dois temas, que pautaram todo o festival, dão as mãos num dos mais esperados competidores deste ano: o sul-coreano "Nowhere to Lay My Eyes" (cujo título original é "Nun Dul Dega Eomne"). Seu realizador goza do status de mestre e da fama de ser gente que faz (e muito): Hong Sangsoo, o diretor mais prolífico do planeta. Anualmente, ele lança dois longas. Em fevereiro, exibiu "The Day She Returns" ("Geunyeoga doraon nal"), na mostra Panorama da Berlinale, na Alemanha. Agora é a vez de encantar a Suíça.
"Eu filmo situações do dia a dia que são simples, o que me leva a rodar com rapidez. Não preciso de efeitos especiais. Eu mesmo opero a câmera. Só preciso de alguém para captar o som para nós. Com isso, meu orçamento é pequeno. A montagem fica por minha conta também. Nem saberia precisar quanto a gente gasta por filme, mas é pouco", disse Sangsoo ao CORREIO DA MANHÃ no lançamento de "O Que A Natureza Te Conta", na Berlinale de 2025.
Seu novo trabalho inventaria angústias. Em "Nowhere to Lay My Eyes", Sanghee visita a mãe na ilha de Jeju. O restaurante dessa delicada senhora tornou-se um sucesso. Em meio à rotina movimentada do estabelecimento, o padrasto de Sanghee está fazendo um filme sobre uma sepultura de grama. Fatos até então desconhecidos, conselhos desnecessários e elogios baratos são trocados entre eles. Na manhã de sua partida, os outros integrantes da família se confrontam com os registros que a protagonista faz da Coreia a seu redor. (R.F.)
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