Cinema

Em 'O Fim da Rua', Ewan McGregor foi um "guia jurássico" para a nova geração

Ator falou sobre parceria com Anne Hathaway para trabalhar com elenco jovem no novo filme

Em 'O Fim da Rua', Ewan McGregor foi um "guia jurássico" para a nova geração
Em "O Fim da Rua", uma família dos anos 80 enfrenta diferentes espécies de dinossauros na rua de casa Crédito: Warner Bros. Pictures

Grande estreia da semana, "O Fim da Rua" leva dinossauros a um bairro de classe média dos EUA nos anos 80. A trama gira em torno da família Platt, que enfrenta problemas de relacionamento, quando o mundo que conhecem vira de ponta-cabeça de uma hora para outra ao descobrirem que dinossauros de verdade invadiram o bairro. Protagonizado por Ewan McGregor e Anne Hathaway, o longa é a aposta da Warner Bros. para a ficção nesta janela de lançamentos. E muito dessa confiança no projeto se dá pela química de McGregor com Hathaway. Ao Correio da Manhã, o ator revelou como foi trabalhar com a vencedora do Oscar neste projeto tão inusitado, que exigiu muito da parte física da dupla.

"Annie [Hathaway] e eu tínhamos corridas bem longas para fazer — por jardins, ruas, pulando cercas, atropelando os quintais das frentes das pessoas, e eles não são planos, então tivemos que tomar muito cuidado para não colocar o tornozelo em um buraco. Mas nos divertimos muito fazendo isso, inclusive lutar com os dinossauros", disse.

Macaque in the trees
A família Platt vai tentar sobreviver aos lagartos pré-históricos; Ewan McGregor e Anne Hathaway foram "pais" para os mais jovens, dentro e fora das filmagens | Foto: Warner Bros. Pictures

Ele também falou sobre trabalhar com um elenco muito jovem, que interpreta os filhos do casal. Christian Convery dá vida a Brian, caçula da família, e Maisy Stella interpreta Audrey, a filha mais velha do casal, que sonha em ser astrônoma. Para Ewan McGregor, o filme funciona justamente porque o elenco formou uma família nos sets.

"Foi uma alegria trabalhar com a família em si — Annie, Christian e Maisy... Eu adorei! Por mais que a ação com os dinossauros seja incrível e insana, acho que se não tivesse uma família que fosse crível no centro da história, com quem você realmente se importasse, os dinossauros não fariam tanta diferença assim. E ter a sorte de trabalhar com esses atores tão talentosos me deixa muito feliz", comentou McGregor.

O protagonista também compartilhou que trabalhar com essa molecada rendeu uma experiência paternal autêntica.

"[Trabalhar com] as crianças me fez sentir muito paternal com elas. Em parte como pai, mas também como um ator mais velho que está trabalhando com dois atores novos, ótimos. Maisy [Stella] é uma atriz incrível, muito fiel em tudo que faz, tanto com o que diz como com o que faz em cena, e dá para ver que isso é importante para ela. Christian [Convery] é mais novo, ele tinha 13 anos e, claro, é menino. Eu tenho quatro filhas, então com a Maisy eu estava totalmente à vontade, porque estou mais familiarizado com ser pai de meninas. Tenho um filho que tinha apenas quatro anos na época, e ali estava Christian, um menino de 13 anos, e eu simplesmente gostava de estar perto dele porque essa energia de 'pai de menino' era inédita para mim. Não sabia sobre todas as coisas que ele queria falar, mas eram tão engraçadas e interessantes. Ele é um garoto muito inteligente e um ótimo ator", revelou Ewan McGregor.

Inspiração no mestre Steven Spielberg

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"O Fim da Rua" traz uma família americana dos anos 80 tentando sobreviver a uma invasão jurássica em seu bairro | Foto: Warner Bros. Pictures

"O Fim da Rua" tem grande inspiração nas obras e legado de Steven Spielberg, que eternizou no cinema clássicos como "E.T. - O Extraterrestre" (1982) e "Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros" (1993). O longa, inclusive, parece muito uma fusão das duas obras. No entanto, houve um trabalho muito interessante do diretor, David Robert Mitchell, para criar sua própria versão dos dinossauros em vez de tentar replicar o visual dos répteis de Spielberg, que viraram a referência máxima no tema.

Para essa ficção, os dinossauros são todos do período jurássico, enquanto as obras de Spielberg se concentraram mais nas espécies do cretáceo. Então, não espere ver um T-Rex ou os temíveis Velociraptores correndo por aí. Em "O Fim da Rua", as grandes ameaças são o Alossauro e o icônico Espinossauro, com sua famosa barbatana dorsal.

E uma grande novidade é que parte da flora jurássica também participa da história, criando momentos de muitas reviravoltas e tensões. E muito deste cenário exótico foi realmente construído, apelando o mínimo possível para a computação gráfica, e investindo em cenários reais.

Para Ewan McGregor, isso fez toda a diferença.

"Um dos meus momentos favoritos foi chegar ao estúdio. Nós filmamos no Electric Owl Studios em Atlanta. Lembro de entrar pela porta e ver os cenários. Eu adoro cenários em estúdios, é meio que a fantasia de criança de ser ator, sabe? Então, quando você vê o exterior de um cenário, é empolgante demais!", afirmou.

De volta aos anos 80

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Dinossauros do período jurássico atacam os vizinhos e parentes com muita brutalidade | Foto: Warner Bros. Pictures

Mais do que a fauna e a flora, "O Fim da Rua" se empenhou em recriar com fidelidade máxima a atmosfera dos anos 1980, com uma caracterização meticulosa do bairro.

Ao longo da trama, a família Platt passa por diversas casas e carros. E casa ambiente foi desenvolvido com muitos detalhes pelo time de produção.

A designer de produção Maya Shimoguchi e a decoradora de cenários Missy Parker trabalharam para criar cada casa como as famílias vivessem nelas há gerações. Cada cômodo traz objetos meticulosamente escolhidos, como fotografias, livros e lembranças que refletiam décadas de vida cotidiana, criando um bairro que parecia familiar, genuinamente vívido, e não apenas um set decorado para um filme.

Segundo Ewan McGregor, o trabalho da dupla foi tão impecável que ele interpretou Greg Platt tendo a vizinhança como um personagem vivo para interação.

"Eu entrei nessa casa e foi como entrar em uma casa dos anos 80 de verdade. Eram muitos detalhes! Cada adereço, cada ímã na geladeira, cada objeto nas prateleiras tinha um significado. Para qualquer lado que você olhasse, tudo era real. Você subia uma escada com carpete para os quartos das crianças, e cada detalhe era brilhante. Foi incrível estar naquele ambiente construído por essa equipe talentosa, e também nas locações. Todo aquele bairro, a rua tão grande e longa onde filmamos, existia. Isso realmente nos deu outro personagem, o bairro. O bairro voltou no tempo com a gente", disse o ator ao Correio da Manhã.