Rodrigo Fonseca
Especial para o Correio da Manhã
Oráculos meteorológicos garantem que, ao longo desta sexta-feira, Gramado, no Rio Grande do Sul, registrará uma temperatura mínima de 12°C, com máxima de 15°C. O dia terá variação de nuvens, com possibilidade de chuvas fracas e isoladas, mantendo o clima típico e ameno de inverno daquela região. Isso até "Antártida" começar no Palácio dos Festivais.
Aí haverá neve. E mais: segundo o prognóstico da equipe curatorial da maratona cinematográfica anual da Serra Gaúcha - a competição cinéfila mais popular deste país -, pancadas de tensão hão de sacudir a plateia inaugural do que se apresenta como a produção em longa metragem mais audaciosa dos Estúdios Globo. Escrito por Claudia Jouvin e dirigido por Bruno Safadi, esse thriller se passa nos confins gelados da Terras, mas suas locações são cariocas da gema.
Escolhido para abrir a 54ª edição do Festival de Gramado, que vai de 14 a 22 de agosto, esse suspense foi filmado em um espaço estimado em 1.500 m², localizado no Rio de Janeiro, que conta com câmeras autotracking de alta precisão, recursos de Inteligência Artificial e Realidade Aumentada e cerca de 300 m² de telas de LED, o que permitiu imersão na paisagem congelante - mesmo no calor carioca. A produção possibilitou a união do mundo real e do virtual de forma fluida, utilizando, além da tecnologia, imagens captadas na Patagônia através de câmeras 360 e cenários físicos. Sua passagem pelas telas gramadenses, um mês antes de seu lançamento comercial (agendado para 17 de setembro), coincide com o tributo a uma de suas estrelas: Andrea Beltrão. Ela receberá o troféu Oscarito, uma honraria destinada a intérpretes que contagiaram Brasis com sua graça e versatilidade. Em "Antártida", sua diversidade de tipos se abre para um signo de empoderamento: a subcomandante Elisabeth
Na Estação Comandante Diniz, na Antártida, a cientista Inês (Marina Ruy Barbosa) é vítima de um crime brutal. Isolados pelo frio extremo e sem possibilidade de resgate imediato, todos os homens da base se tornam suspeitos - inclusive as patentes mais altas, Comandante Barros (Antonio Calloni) e o Capitão Vicente (Lázaro Ramos). Elisabeth (Andrea) assume ali a difícil missão de investigar o ocorrido, enquanto as demais mulheres da estação - Inês, Marina (Leandra Leal) e Rose (Mariana Sena) - se sentem acuadas e precisam se unir para enfrentar o medo, o silêncio e a violência.
"A ideia do filme partiu da notícia sobre o incêndio na estação brasileira em 2012", diz Claudia Jouvin, roteirista do longa e também cineasta, com passagem prévia por Gramado na edição de 2015, quando disputou o Kikito, o troféu local com "Um Homem Só", comédia romântica com um quê de sci-fi. "Fiquei me perguntando como o acidente se deu e como os brasileiros lidaram com isso. A partir daí, peguei a ideia de que brasileiros, sempre serão brasileiros em qualquer lugar do mundo (até no lugar mais extremo do planeta) e resolvi contar essa história de confinamento usando a estação como um microcosmos do Brasil. O Bruno Safadi é um cineasta que usou seu cinema, muitas vezes com baixo orçamento, para falar de relações humanas e isso foi fundamental para meu roteiro que, apesar de ser uma super produção é absolutamente focado no conflito entre esses personagens".
A partir da projeção de "Antártida", começa a competição pelos já citado Kikito, prêmio que foi idealizado em referência ao sorridente Deus Sol dos pampas. O júri das seis ficções será composto pelas atrizes Cris Vianna e Helena Ranaldi; pelo cineasta Fabio Meira; pela curadora, pesquisadora e professora Kênia Freitas e pelo ator Marcelo Serrado. Os quatro longas da leva documental serão julgados pela diretora e atriz Bárbara Paz; o ator Caco Ciocler; e o produtor, compositor e fotógrafo Paulo Mendonça. O longa de encerramento será "La Perra", produção Chile x Brasil, dirigida por Dominga Sotomayor, com Selton Mello, que receberá o Kikito de Cristal em duo com Maria Fernanda Cândido.
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