Correio da Manhã
Cinema

CineBacante leva cinema, filosofia e vinho ao Estação Rio

Mostra reúne clássicos do cinema em quatro terças-feiras com música ao vivo, leituras e intervenções filosóficas

CineBacante leva cinema, filosofia e vinho ao Estação Rio
Jean Sylvère emprega a maiêtica socrática no cinema de Rossellini Crédito: Divulgação

Pelas próximas quatro terças-feiras, a começar neste 2 de junho, o Estação Rio, ali no nº 35 da Voluntários da Pátria, vai acolher uma gira sacudida pelo barravento de Pier Paolo Pasolini, Chico Buarque, Roberto Rossellini e Júlio Bressane numa micareta que junta teatro, música, leituras, vinho e... sobretudo... cinema. A mostra que revisita clássicos antológicos das telas a partir de intervenções filosóficas e musicais ao vivo, acompanhadas de uma taça cheia, chama-se CineBacante. Rola sempre às 20h.

Os quatro temas que convergem filmes saborosos para o filtro da ontologia, da metafísica, do existencialismo e até da epistemologia foram escolhidos sob a curadoria do filósofo, poeta e professor da UFRJ Fernando Santoro. São eles: "Medeia", de Pier Paolo Passolini (2/6); "Dona Flor e Seus Dois Maridos", de Bruno Barreto (9/6); "Sócrates", de Roberto Rosselini (16/6); e "Sermões - A História de Antônio Vieira", de Júlio Bressane (23/6). Cada noite será uma micareta independente, mas a apresentação de cada evento está a cargo de Leo Monteiro de Barros, produtor de cinema e TV, sócio da produtora carioca Conspiração e vice-presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual - SICAV.

"O cinema é a arte dramática na sua forma contemporânea, e trazer o espetáculo de volta às suas origens rituais dionisíacas é o que fazemos no CineBacante", explica Santoro. "É natural que possamos buscar a experiência da Arte Total nos ritos de Dioniso, porque temos a situação propícia para o encontro de todos os sentidos. O vinho nos desperta o gosto, a música nos embala a escuta e, assim, podemos sentir a palavra poética e finalmente fruir o prazer completo da imagem em movimento. Nós temperamos com a sabedoria dos sátiros usando os melhores ingredientes: esses filmes que reúnem: a) em Pasolini, Eurípides e Apolônio; b) em Bruno Barreto, Jorge Amado e Chico Buarque; c) em Rossellini, Platão e Sócrates; e d) em Bressane, Padre Antônio Vieira e Caetano Veloso. É uma escalação que vem mostrar toda a nossa arte. E o público entra como coro para beber, conversar e cantar junto — porque o rito de Dioniso é uma festa".

Monteiro de Barros conta ao Correio da Manhã que ele e Santoro, antigos colegas da UFRJ, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), propuseram a ideia do evento "dionisíaco" à diretora do Circuito Estação, Adriana Rattes, que abraçou a proposta na hora, com entusiasmo.

"Um dos objetivos principais do evento é mostrar o quanto de filosofia se encontra em alguns filmes emblemáticos. Mostrar que questões filosóficas importantes, ou mesmo linhas de pensamento, estão muito próximas de nós, em muitas coisas que vemos ou vivenciamos. Ver o cinema com olhos filosóficos e a filosofia com olhos artísticos", diz o produtor. "Nada melhor do que eventos vivenciais e presenciais — com vinho! — para celebrar esta junção de filosofia e artes".