Encerrada na noite desta sexta com a projeção do eletrizante thriller “Histoires de la Nuit”, da francesa Léa Mysius, a competição oficial de Cannes conhecerá as produções ganhadoras dos prêmios oficiais e paralelos (do júri ecumênico e do júri da crítica) neste sábado, mas já há uma série de láureas periféricas, de grande relevo, em movimento de consagrar potenciais cults e sucessos. Dois filmes que contam com produtoras brasileiras na equação criativa (e também financeira) foram distinguidos com mimos na Croisette. “Elefantes na Névoa”, do nepalês Abinash Bikram Shah, recebeu o prêmio do júri na mostra Un Certain Regard e o prêmio de Melhor Criação Sonora. Já “La Perra”, da chilena Dominga Sotomayor, com o mineiro Selton Mello, recebeu a Palm Dog, para a cadelinha que integra o elenco.
Impulsionado pela sinergia das produtoras Bubbles Project (de Tatiana Leite) e Enquadramento Produções (de Leonardo Mecchi), “Elefantes na Névoa” é uma belíssima saga de afirmação de identidade se passa em um vilarejo no Nepal, narrando o dilema de um líder comunitário cuja filha sumiu. Sua montagem valoriza as dores internas dos personagens em planos que convidam a imersões existencialistas nas almas em cena. O Prix Un Certain Regard, ao qual o longa concorria, acabou com Sandra Wollner e seu “Everytime”.
Dessa mesma seleção, cuja tradução em português seria Um Certo Olhar, o thriller “Teenage Sex Na Death At Camp Miasma”, de Jane Schoenbrun, recebeu a Queer Palm, troféu de inclusão e de combate à transfobia e à homofobia. Destaca-se em seu elenco Gillian Anderson, a Dana Scully de “Arquivo X”.
Na quinta-feira, o curta-metragem “Laser-Gato”, coprodução do Brasil com os EUA e o Reino Unido venceu a mostra La Cinef, voltada para jovens talentos e estudantes de cinema.