Objeto de culto no cinema independente, onde é parceira recorrente de Wes Anderson, Jim Jarmusch, Pedro Almodóvar e Bong Joon-Ho, Tilda Swinton vai fazer um filme novo com o tailandês Apichatpong Weerasethakul, com quem foi parar na Colômbia, nos sets de "Memória", Prêmio do Júri em Cannes, em 2021. Esteve lá naquele ano de covid-19 e foi avalida por um júri que teve Kleber Mendonça Filho como votante. Os dois foram jurados juntos, no Festival de Marrakech, em 2019. À época, ela quis ouvir o pernambucano sobre a dureza do Brasil de Bolsonaro. Sempre tem ouvidos para povos bem diferentes do seu Reino Unido natal falarem de sua arte.
Hoje, é a Croisette que vai parar para ouvir (e aplaudir) Tilda. Um ano depois de ganhar o Urso de Ouro Honorário da Berline, a atriz nascida em Londres, há 65 anos, vai falar de si e de sua forma de se reinventar na seção Rendez-vous, a sabatina anual que Cannes faz com artistas de exceção. "Não tenho medo de me desapegar da vaidade e esquecer da maquiagem, pois o meu motor no processo de criação é uma aura de vida", disse Tilda ao Correio da Manhã ao ser homenageada no Festival de Berlim.
Alvo de convites sazonais de Hollywood, onde teve lugar de honra na Marvel, em "Os Vingadores: Ultimato" (2019), a estrela de "O Quarto ao Lado" (Leão de Ouro de 2024) é dona de um sítio onde cria galinhas, ensinando seus filhos a respeitar a natureza. Tem o olhar aberto para o cinema sul-americano, que admira há tempos. Foi presidente do júri do Festival de Berlim em 2009, quando deu o Urso de Ouro à peruana Claudia Llosa, pelo drama "A Teta Assustada". Premiou ainda o drama romântico uruguaio "Gigante", de Adrián Biniez.
"Meu português não é bom, nem meu espanhol, mas a minja curiosidade por muitas formas de fazer cinema é plural. É importante, quando estamos na condição de analisar filmes de diferentes culturas, dar voz a manifestações artísticas que desafiam convenções", diz a atriz, que vai filmar "Jenjira's Magnificent Dream", com Apichatpong.
Em 2025, ela passou por Macau com "Balada de um Jogador", ao lado de Colin Farrell, hoje na Netflix. Até o fim do ano, ela será vista em "Songs For Fiji", de Cyintia Beatt.
Antes de Tilda, Cannes estendeu seu Rendez-vous a Cate Blanchett e a Peter Jackson.