Indicado ao Oscar em 1991 por "O Poderoso Chefão III", o cubano Andy Garcia gozou da fama de galã o quanto teve chance e, agora, aos 70 anos, vê no streaming, na série "Landman", da Paramount Plus, ao lado de Billy Bob Thorton e Demi Moore, a chance de falar com mais plateias... online. Nessa fase digital, ele resolveu manter o cinema como um bom companheiro e filmou um noir... um noir com um charme sumido desde os tempos de "Chinatown" (lá de 1974), em que assina a realização e o roteiro, além de estrelar. "Diamond" bateu no peito de Cannes como uma explosão. Foi "A" surpresa (das boas) da reta final do festival. Andy atua em estado de graça.
"Eu pegava ônibus em Miami e cruzava aquela cidade, logo que saí de Cuba para os EUA, em busca de um cinema na Lincoln Road, onde se via um programa duplo por sessão. Às vezes, com um ingresso, ri via dois 007s de uma vez. O noir me chegou ali. 'Casablanca' veio ali. Esses filmes estão em mim", disse Garcia ao Correio da Manhã.
Depois de 21 anos sem dirigir, mas ainda com as manhas adiquiradas ao filmar o belo "A Cidade Perdida" (2005), Andy volta a rodar longas-metragens numa apropriação do que recebeu de melhor de Francis Ford Coppola, Sidney Lumet, De Palma e outros mestres na criação de uma espécie de Don Quixote noir.
Seu papel na frente das câmeras é o do detetive Joe Diamond, um investigador famoso por ter resgatado flamingos perdidos. No meio de uma missão ligada ao assassinato de um milionário, Joe tem seus segredos expostos numa trama charmosa, em que sublimação de lutos se confundem com a busca pela verdade... ou a investigação dela. E, de quebra, temos Bill Murray em cena. (R. F.)