Tales Faria

Violência e disputa de dinastias na eleição maranhense

Para montar sua própria dinsatia em substituição à família Sarney, o governador Carlos Brandão não cumpriu acordo com o ministro do STF e ex-governador Flávio Dino

Violência e disputa de dinastias na eleição maranhense
O governador Carlos Brandão e seu sobrinho Orleans Brandão, candiato à sucessão Crédito: Rede social

Na tarde do dia 19 de agosto de 2022, o empresário João Bosco Pereira Oliveira Sobrinho foi morto a tiros em frente ao edifício Tech Office, conhecido prédio comercial no bairro Ponta d'Areia, em São Luís. As suspeitas são de que o episódio tem a ver com mais um dos muitos casos de corrupção que há pelo Brasil.

Mas pode se tornar a chave da disputa pelo poder entre novas e velhas oligarquias do Maranhão, a julgar pelo que disse o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, quando determinou o afastamento de Daniel Itapary Brandão, por 180 dias, da presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Daniel é sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB), ambos integram uma dinastia em formação no estado, após o declínio da família Sarney e o afastamento de Flávio Dino do comando do governo para assumir como ministro do STF. Seu primo, Orleans Brandão, é o candidato a governador pelo MDB, cujo pai, Marcus Brandão, é considerado o homem forte nos bastidores da política no estado.

Carlos Brandão assumiu o governo como vice do então governador Flávio Dino. Havia um acordo para que o vice de Brandão, Felipe Camarão (PT), fosse o candidato do grupo à sucessão. Mas Brandão não cumpriu o acerto. Lançou Orleans para dar impulso a uma nova dinastia no poder. Desde então, Dino e a família Brandão estão rompidos. Para afastar o presidente do TCE, o ministro argumentou que é preciso aprofundar as investigações para esclarecer o eventual envolvimento de Daniel Brandão no homicídio e nos desvios de recursos públicos.

"As investigações trazem sérios elementos de prova de que, desde o momento do crime até os dias atuais, o grupo investigado tem lançado mão de todas as ações ao seu alcance para blindar a identificação de Daniel Brandão em tal investigação", escreveu Dino.

Um dos assassinos disse em depoimento que Daniel Brandão estava no local do crime – o edifício Tech Office – e que tudo se deve a uma briga por divisão de propina obtida em decisão da Secretaria de Educação, que estava sob a órbita do petista Felipe Camarão.

Agora, nas eleições, Camarão é o candidato a governador do grupo de Dino. Disputa contra a dinastia Brandão e contra uma curiosa terceira via representada pelo ex-prefeito de São Luiz Eduardo Braide (PSD), cuja chapa ao Senado vai do ex-ministro de Lula André Fufuca (PP) ao bolsonarista Lahesio Bonfim (agora no Novo). Braide, é a terceira via e o cenário ainda está muito incerto.

A chapa de Orleans Brandão, o sobrinho do governador, tem dois nomes de peso: a ex-governadora Roseana (MDB), filha do ex-presidente José Sarney, e o atual senador Weverton Rocha (PDT). A chapa de Camarão vem com a atual senadora Eliziane Gama (ex-PSD, agora no PT) e Enilton Rocha (Psol).

As urnas em outubro vão revelar se o Maranhão prefere estabelecer de vez o domínio de um arranjo familiar com traços oligárquicos que tenta substituir o clã Sarney, ou se opta por uma coalizão do centrão com o bolsonarismo. Ou ainda, se decide por retomar a via esquerdista que elegeu Dino 12 anos atrás.