Tales Faria

Pablo Marçal: como avacalhar a democracia e ganhar dinheiro

O influenciador digital Pablo Marçal, que tumultuou os debates eleitorais de 2024, encaminhou à TV Bandeirantes ofício cobrando participação do debate do próximo domingo

Pablo Marçal: como avacalhar a democracia e ganhar dinheiro
Marçal perdeu, mas ditou o tom da eleição Crédito: Reprodução/TV

Pronto, Pablo Marçal chegou ao noticiário da campanha eleitoral. Candidato a prefeito de São Paulo em 2024, tornou-se inelegível até 2032 por oferecer prêmios em dinheiro e brindes a quem fizesse o recorte de seus conteúdos e conseguisse o maior alcance nas redes sociais.

Mas a inelegibilidade não o impediu de se inscrever como candidato a presidente da República e, no sábado, 15, obter uma medida liminar favorável à sua candidatura na Justiça Eleitoral de Santana do Parnaíba (SP). Qualquer pessoa com filiação partidária pode pedir o registro, mesmo que não cumpra todos os requisitos. A impugnação só ocorre quando o tribunal eleitoral decidir se aceita ou não a candidatura, o que só deve ocorrer em setembro.

Até lá, Marçal já se prepara para avacalhar a campanha, especialmente nos debates eleitorais da TV, como fez em 2024, quando conseguiu tirar do sério um dos seus adversários na disputa pela Prefeitura de São Paulo. O apresentador José Luiz Datena resolveu atacá-lo com uma cadeirada e se queimou junto ao eleitorado. Datena acabou desistindo de concorrer.

Nesta quarta-feira, 19, Marçal encaminhou à TV Bandeirantes um ofício cobrando participação do debate dos presidenciáveis do próximo domingo. No documento, em tom ameaçador, ele cobra que, "se mantida a exclusão", de sua participação, lhe sejam enviados "por escrito os critérios objetivos adotados para a seleção dos participantes e a demonstração de sua aplicação uniforme a todos os candidatos registrados".

Em outras palavras, ele quer saber por que estará fora, se outros nomes igualmente sem representação suficiente no Congresso, como Renan Santos, do partido Missão, foram convidados. A Lei das Eleições garante a participação nos debates dos candidatos filiados a partidos com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. Para candidatos de legendas que não atingem esse número, a presença fica a critério da organização de cada evento.

As TVs sabem que a presença de Marçal serve para avacalhar os debates. Mas o problema é que os dois principais candidatos em 2026 ameaçam não aparecer. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como líder e esquerdista, porque seria o principal alvo de todos os outros. Flávio Bolsonaro (PL) já afirmou que só pretende aparecer nos debates em que Lula for. Portanto, sem os dois primeiros colocados, os debates tendem a se tornar maçantes e sem audiência.

O dilema das TVs será manter a seriedade do debates ou abrir para Marçal em busca da audiência perdida que cadeiradas e coisas assim podem trazer de volta.

E Marçal, o que ganha com isso? Ganha vitrine, o que é essencial para influenciadores digitais que fazem dinheiro com propaganda. Isso ele sabe fazer muito bem. Segundo a última declaração que apresentou à Justiça Eleitoral neste mês de agosto, Marçal informou um patrimônio de R$ 149,9 milhões.

O problema é que, em 2024, ele havia declarado R$ 169 milhões de patrimônio. Será que está precisando repor o caixa?