A coluna antecipou ontem que a descoberta de petróleo no litoral do Amapá serviu para destravar a PEC da Segurança. Foram apontadas a comemoração a bordo do navio-sonda da Petrobras no Oiapoque, na segunda-feira, 17, e a troca de mesuras e agradecimentos entre os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Os dois tinham rompido depois que os senadores barraram a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Dizia o texto:
"Alcolumbre enviou a PEC [Proposta de Emenda Constitucional] da 6x1 para a Comissão de Constituição e Justiça. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), já declarou que irá pautá-la imediatamente na Comissão. E os líderes do centrão também avisaram que a franca maioria dos integrantes de suas bancadas votará pela nova jornada de trabalho."
O que a coluna não disse é que, junto com a derrubada da 6x1, Alcolumbre também despachou, para início de tramitação na Casa, a PEC da Segurança Pública e o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos.
O fim da jornada é o projeto de maior apelo eleitoral e a decisão de Alcolumbre dá novo ânimo ao governo para votação da matéria antes das eleições de outubro. Mas a PEC da Segurança e a Política Nacional de Minerais Críticos também são consideradas peças importantes para a campanha eleitoral.
Em seus primeiros atos da campanha à Presidência, no domingo, 16, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro elegeram o tema da segurança como eixo de seus discursos. Em São Bernardo do Campo, Lula prometeu prender os líderes do crime organizado e defendeu a aprovação da PEC. Repetiu que, assim que o projeto for aprovado no Congresso, ele irá criar o Ministério da Segurança. No mesmo dia, no ato do Rio de Janeiro, na praia de Copacabana, Flávio Bolsonaro lançou sua candidatura com críticas duras ao governo federal justamente no campo da segurança.
Já a aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos será usada na campanha como peça do discurso de defesa da soberania do país e como arma de negociação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que precisa de minerais críticos para a corrida contra a China pela produção de produtos de alta tecnologia. A China detém as maiores reservas de terras raras do planeta e o Brasil está em segundo lugar.
O clima positivo do Oiapoque, levou Alcolumbre a também aderir ao discurso do Planalto de defesa da soberania nacional. Ao comemorar a descoberta de petróleo, ele tomou o microfone e afirmou: "Sob a sua liderança e com a trincheira de defesa do Congresso Nacional, nós dizemos de uma vez por todas: deixem que nós, brasileiros, que lutamos pela defesa do nosso Brasil, que nós decidamos o que nós queremos do Brasil."
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