Tales Faria

Petróleo no Amapá destrava de vez a derrubada da 6x1

Em evento no Oiapoque pela descoberta de petróleo no Amapá, Lula e Alcolumbre trocam elogios e governo ganha ânimo para aprovar derrubada da 6x1 antes das eleições

Petróleo no Amapá destrava de vez a derrubada da 6x1
Lula e Alcolumbre se reuniram na quarta-feira (12) e na sexta-feira (14) para acertar as pautas prioritárias do governo no Congresso Crédito: Ricardo Stuckert/PR

A descoberta de petróleo no poço Morpho da bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, deu uma injeção de ânimo nos articuladores políticos do governo para a aprovação, ainda antes das eleições de outubro, da derrubada da jornada semanal de seis dias de trabalho por um de folga, a chamada 6x1.

O anúncio de descoberta pela Petrobrás foi feito na sexta-feira, 14, e já nesta segunda-feira, 17, o presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva (PT), e seu até recentemente desafeto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estavam juntos no Oiapoque a bordo do navio-sonda ODN II, trocando juras de amor e agradecimentos.

"Quero dizer ao senhor, presidente Lula, na condição de amapaense e presidente do Congresso: muito obrigado pela defesa que o senhor fez ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo e todos para defender que esse projeto chegasse no dia de hoje com essa descoberta feita pela Petrobras, que tem que ser um orgulho de todos os brasileiros", disse Alcolumbre.

Lula devolveu elogios e agradecimentos. Ele citou Alcolumbre nominalmente por mais de uma vez e, ao final, agradeceu pelo presidente do Senado ter destravado, no Congresso, o andamento das três propostas consideradas prioritárias para o governo. Após aquele encontro de sexta-feira, o presidente do Senado anunciou que daria andamento às Propostas de Emenda à Constituição (PECs) da Segurança Pública e da derrubada da 6x1, além do projeto que trata das terras raras.

Os três estavam parados desde que Lula e Alcolumbre praticamente romperam relações devido à derrubada, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

A coluna apurou que no encontro de sexta-feira, Lula recebera sinais de Petrobras de que poderia haver esse anúncio do petróleo no poço de Morpho. O presidente confidenciou essa possibilidade ao chefe do Congresso, que ficou extasiado. Alcolumbre precisa reeleger o governador do Amapá, Clécio Luís (União), para manter seu poder no estado, mas as pesquisas apontam o favoritismo do ex-prefeito de Macapá, Doutor Furlan (PSD).

Líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), é aliado de Alcolumbr e acompanhou esse reencontro de Lula e Alcolumbre no Oiapoque.

Procurada pela coluna, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), admitiu que realmente pode ser aprovada a derrubada da 6x1 no próximo esforço concentrado do Congresso, marcado para ocorrer entre os dias 31 de agosto e 3 de setembro.

"Estamos trabalhando para entrar na pauta", disse a senadora. Conseguiu o mais difícil: na sexta-feira mesmo Alcolumbre enviou a PEC da 6x1 para a Comissão de Constituição e Justiça. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), já declarou que irá pautá-la imediatamente na Comissão. E os líderes de partidos do centrão também avisaram que a franca maioria dos integrantes de suas bancadas votará pela nova jornada de trabalho.

Lula não gosta que digam que ele é um homem de sorte. Mas é ou não é muita sorte encontrar petróleo no Amapá justamente agora?