Tales Faria

Cleitinho entre Lula e Flávio Bolsonaro: "neutralidade"

Candidato a governador de Minas melhor colocado nas pesquisas acenou ao PT que não dará palanque a nenhum candidato a presidente. É o que querem os petistas

Cleitinho entre Lula e Flávio Bolsonaro: "neutralidade"
O senador Cleitino Crédito: Edilson Rodrigues - Agência Senado

Candidato do Republicanos ao governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo reapareceu nesta terça-feira, 11, no plenário do Senado para acompanhar as votações desta semana de esforço concentrado.

Estava solitário por volta das 18h quando se aproximou de sua cadeira o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), ex-líder do PT na Câmara e um dos caciques da legenda em Minas.

Os dois se abraçaram como grandes amigos e o deputado sentou-se na cadeira ao lado. A cena foi presenciada pela coluna a média distância. Logo Reginaldo puxou assunto: "Parabéns. Você será um forte candidato, mas é claro que continuo torcendo pelo Patrus."

Ele se referia ao deputado Patrus Ananias (PT-MG), que irá enfrentar Cleitinho na disputa pelo comando do Palácio da Liberdade. O senador sorriu e assentiu com a cabeça. E a conversa continuou no mesmo tom amigável.

Deu para notar quando o deputado perguntou se Cleitinho daria lugar no palanque ao candidato do PL a presidente da República, Flávio Bolsonaro. O senador disse que o Flávio já tem candidato em Minas, o ex-presidente da Federação das Indústrias (Fiemg) Flávio Roscoe. E que, por isso, ele fará uma campanha "independente, com neutralidade" em relação ao PT e ao PL no plano nacional.

É tudo que os petistas querem. Minas é decisivo na eleição presidencial. O comando do PT acredita que Luiz Inácio Lula da Silva(PT) poderá se reeleger até mesmo em primeiro turno, se conseguir uma vantagem de mais de 1,2 milhão de votos no estado. Com Cleitinho apoiando Flávio, seria difícil alcançar essa marca.

Reginaldo Lopes levou ao comando nacional da legenda, no mesmo dia, o resultado dessa sua conversa com Cleitinho. Mas ele próprio não garantiu que o senador manterá essa posição até o final da eleição. "Ele pode mudar de ideia a qualquer instante. Com o Cleitinho tudo é possível", argumentou.

A mesma opinião têm os caciques do PL em Minas. Desde que Cleitinho aguardou Flávio Bolsonaro anunciar a candidatura de Roscoe e lançou-se, dois dias depois, os bolsonaristas passaram a reclamar de terem sido vítimas de "um golpe".

Segundo eles, Cleitinho nunca quis se comprometer, nem com a candidatura de Flávio Bolsonaro, nem com a de Lula. O senador, segundo as pesquisas, pode ter votos para governador tanto entre eleitores do PT com de bolsonaristas, por isso, esticou ao máximo sua decisão até o PL se ver obrigado a lançar candidato próprio.

O comando da campanha de Flávio Bolsonaro, no entanto, não desistiu do apoio de Cleitinho. Acredita que pode convencer o senador a aceitar que o candidato dos bolsonaristas a presidente tenha palanque duplo no estado: para Roscoe e para o senador.

Há entre os bolsonaristas quem defenda até que Roscoe abra mão da candidatura em troca do apoio de Cleitinho. Mas essa é uma hipótese que o comando do PL de Minas Gerais não gosta. Avalia que, se o senador mineiro se afastou propositadamente, ele poderá desistir do eventual apoio a Flávio em qualquer momento da campanha deixando o PL perdido em Minas e na disputa pelo Palácio do Planalto.