Tales Faria

Michelle e Flávio Bolsonaro ainda não se entenderam

Aliados de ambos dizem que eles se relacionam friamente; a madrasta cobra acenos em favor das mulheres no partido e o candidato ainda escolheu um vice homem

Michelle e Flávio Bolsonaro ainda não se entenderam
Flávio e Michelle Bolsonaro continuam discordando sobre decisões da campanha do PL Crédito: Agência Senado/Redes sociais

Quem assistiu ao vídeo em que Michelle Bolsonaro disse que aceitava o pedido de desculpas de seu enteado, o candidato a presidente da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, sentiu pelas feições da ex-primeira-dama que não era bem assim. Michelle deixou claro que se movia "pelo meu marido", o ex-presidente Jair Bolsonaro. E pediu: "Vamos sentar, vamos conversar, ajustar os detalhes."

Mas essa conversa para "ajustar os detalhes" entre os dois é que ainda não ocorreu. Aliados de ambos os lados contam que a relação pessoal continua fria, para dizer o mínimo. E as demonstrações públicas posteriores à briga não foram no sentido do entendimento.

Michelle faltou às duas oportunidades de aparecer publicamente ao lado do enteado. Mandou um vídeo de pouco mais de quatro minutos para a convenção nacional do PL, em 25 de julho, quando foi oficializada a candidatura de Flávio Bolsonaro. Mencionou o enteado, na gravação, apenas uma vez ao lhe declarar apoio. Focou seu discurso nas pautas do PL Mulher.

A ex-primeira-dama argumentou que não podia ir a São Paulo porque precisava ficar perto do marido. Mas mandou avisar à imprensa que estaria em Brasília, na convenção local do partido para oficializar sua candidatura ao Senado, no dia 2 de agosto. Flávio apareceu, porque sabe que precisa do apoio público da madrasta em sua campanha. Michelle Bolsonaro, no entanto, novamente se ausentou. Internou-se numa clínica e mandou mensagem afirmando que estava sofrendo uma crise de enxaqueca.

No entanto, não vieram somente dela os gestos públicos contrários a uma reaproximação. Os aliados de Michelle enxergaram em movimentos objetivos da campanha de Flávio Bolsonaro decisões que se chocaram diretamente com os desejos de madrasta.

O que teria deixado Michelle mais irritada, segundo suas aliadas mais próximas, foi a escolha de um homem - o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) - para candidato a vice-presidente da República na chapa de Flávio Bolsonaro.

Michelle não queria apenas uma mulher. Queria a deputada federal Priscila Costa, que era vice-presidente nacional do PL-Mulher. Chegou a acenar no partido que a escolha de Priscila seria um gesto de pacificação. Afinal, a deputada foi o nome que Michelle tentou emplacar para o Senado numa chapa do PL em apoio a Eduardo Girão (Novo) como governador.

Mas Flávio Bolsonaro não abriu mão da chapa encabeçada por Ciro Gomes (PDT), o que desencadeou o episódio do rompimento. Segundo a madrasta denunciou em vídeo, o enteado a teria maltratado em um telefonema que ela classificou como "uma punhalada".

Para completar, o candidato a presidente pelo PL ignorou Priscila Costa na sua chapa. No Ceará, ela teve que abrir mão da candidatura ao Senado para Alcides Fernandes, pai do presidente regional do partido. E Girão acabou ficando sem espaço na campanha do estado, com Ciro em primeiro lugar nas pesquisas. Teve que optar pela candidatura a vice na chapa de Romeu Zema (Novo).

Ou seja, Michelle e Flávio não só não se entenderam como continuam se desentendendo.