Gleidson Azevedo (Republicanos), irmão gêmeo do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e ex-prefeito de Divinópolis, foi uma figura-chave nas idas e vindas da decisão do senador de se candidatar a governador.
Cleitinho foi e voltou tantas vezes que o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, chegou a anunciar, na segunda-feira, 3, que não dava mais, ele não seria o candidato. Chorando, Cleitinho assentiu como decisão dele próprio.
Mas voltou atrás novamente, segundo afirmou, por pressões do irmão e da família. Três dias depois, em conversa telefônica com Gleidson transmitida ao vivo praça central de Divinópolis, Marcos Pereira confirmou a candidatura.
A política em Minas Gerais não é para amadores. Cleitinho é o primeiro colocado nas pesquisas para governador. Há dez anos como político, foi eleito vereador, deputado federal e, em 2022, senador, com 4.268.193 votos. Com seu jeito simples, de ex-vendedor de verduras, na verdade ele já não é amador há muito tempo. Assim como seu irmão gêmeo, agora candidato a deputado federal.
A expectativa no Republicanos é que Gleidson seja o puxador de votos da legenda no estado. Segundo a legislação, as agremiações recebem verbas do Fundo Partidário na proporção do número de deputados federais que elejam.
Gleidson foi decisivo para levar o Republicanos a voltar atrás e readmitir Cleitinho com candidato: ele ameaçou não mais concorrer, o que faria a legenda eleger menos deputados federais e, portanto, minguar sua fatia no bolo de recursos do Fundo Partidário. Sua pressão junto ao irmão e ao partido foi decisiva.
Mas há uma velha raposa da política nacional, sempre acostumada a trabalhar nos bastidores, que muito se beneficiará das candidaturas de Cleitinho e Gleidison. Trata-se do ex-deputado Eduardo Cunha, que foi desafeto do senador. Em discurso de campanha, Cleitinhp chamou Cunha de "canalha" e de "vagabundo", e arrematou: "Por que ele não vai fazer campanha no Rio de Janeiro?"
Pois é. Cunha havia transferido seu título para Minas Gerais e filiou-se ao Republicanos. Nem chegou a ser citado nos discursos da convenção estadual do partido, mas foi ungido pré-candidato a deputado federal.
Ele foi o todo-poderoso presidente da Câmara. Antes de ser cassado, comandou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Mas não é bom de voto. Em 2022, tentou se eleger pelo PTB de São Paulo e obteve apenas 5.044 votos.
Eduardo Cunha resolveu, então, comprar uma série de rádios em Minas Gerais e, agora, concorre a deputado federal no estado pelo Republicanos. Não espera ter grandes votações, mas passou a ter muitas chances desde que Cleitinho decidiu ser candidato a governador levando Gleidson a manter a candidatura.
O ex-prefeito de Divinópolis - que é quase idêntico a seu irmão gêmeo, Cleitinho - será o puxador de votos da legenda e pode ser responsável pela eleição de Eduardo Cunha.
É por essas e outras que se diz que a política em Minas não é para amadores.
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