As campanhas a presidente da República dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, estão com seus sinais de alerta ligados. Não admitem publicamente, mas temem chegar ao final do primeiro turno com menos de 5% dos votos.
A avaliação que seus aliados fazem das pesquisas de intenção de voto apontam que já há uma movimentação do eleitorado em direção ao chamado "voto útil". Segundo o Dicionário Jurídico, trata-se de uma estratégia de voto em que o eleitor, para evitar a vitória do candidato que rejeita fortemente, opta por outro que tem mais chances de vencer o primeiro, embora não seja esse o nome de sua preferência.
Segundo a última pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira, 5, Caiado obteve 4% das intenções de voto e Zema, 2%. Com pontuação próxima à dos dois está Renan Santos, do Partido Missão. Mas essa é a primeira campanha eleitoral de Renan, e ele veio com um partido recentemente criado. Uma eventual derrota com menos de 5% não terá o mesmo peso que teria para os dois ex-governadores com partidos já estabelecidos. Menos de 5% será um desastre para eles, caso ocorra.
No primeiro turno, a pesquisa Quaest revelou que 39% dos entrevinstados estão dispostos a votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 30% votariam em Flávio Bolsonaro (PL). Já para o segundo turno, 44% se disseram dispostos a votar em Lula e 39%, em Flávio. É como se o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro carregasse para si, no segundo turno, praticamente todos os votos de Caiado, Zema e Renan, que somaram 10% no do primeiro turno.
Como se o eleitor dissesse: "Eu gosto do Caiado, do Renan e do Zema, votaria num deles. Mas estou propenso a votar mesmo em Flávio, tanto que já optei por ele em segundo turno". Isso assusta os candidatos desse segundo pelotão, porque mostra que pode já estar havendo uma escolha agora, com cristalização dos votos finais nos polos principais da disputa, Lula e Flávio Bolsonaro.
Entre o primeiro e o segundo turno, a pesquisa não apontou grandes alterações entre indecisos, ou aqueles que não pretendem votar, ou optam por brancos e nulos. No total, saíram de 18% para 17%. E Lula também parece carrear os votos de praticamente todos os nanicos de esquerda e centro-esquerda que não aderiram à sua chapa.
As campanhas de Caiado e Zema pretendem concentrar esforços em evitar que o eleitor decida agora pelo voto útil. Caiado já havia adotado antes essa estratégia, tentando mostrar na campanha o que ele tem que Flávio Bolsonaro não tem: experiência, moderação. Zema chegou mais tarde na conclusão de que precisa se diferenciar. Até porque, sempre houve a possibilidade de se juntar a Flávio na mesma chapa, como vice.
Mas o candidato do PL não se esforçou em trazer Zema para sua chapa e já anunciou o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice. Os Bolsonaro não gostam de assumir compromissos com ninguém, e isso não só impediu eventuais alianças como abriu rachaduras até mesmo dentro da família.
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