A equipe da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para presidente da República avalia se ele não deve participar dos debates transmitidos pela TV e por rádios se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é candidato à reeleição, decidir não comparecer.
Lula, por sua vez, já avisou que não pretende se expor a debates, já que, muito provavelmente, ficaria isolado contra todos os outros presentes. Se transformaria apenas em uma espécie de alvo fixo, pronto para receber uma saraivada de tiros dos adversários.
Para o PL, Lula é o verdadeiro adversário de Flávio. Os bolsonaristas consideram que os demais principais candidatos da direita – Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) – são, na verdade, potenciais aliados de Flávio no eventual segundo turno.
Segundo a pesquisa BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira, 3, Lula tem 41% das intenções de voto no primeiro turno contra 37% de Flávio Bolsonaro. Caiado marca 5%, Renan, 4%, Zema vem com 3% e todos os outros candidatos, no máximo, conseguem 1% das intenções de voto, ou não pontuam.
Portanto, para a cúpula da campanha, um debate sem Lula, seria uma aventura para Flávio Bolsonaro, com risco de ele se tornar foco de críticas dos seus aliados ali presentes. Não ganharia um só voto e corria o risco de criar inimigos entre potenciais aliados para o segundo turno das eleições.
A pesquisa BTG Pactual trouxe outra péssima notícia para Caiado, Zema e Renan: o empate técnico de Flávio Bolsonaro com Lula no segundo turno. O petista pontuou 46% das intenções de votos no segundo turno contra 45% de Flávio. O levantamento traz ainda uma provável derrota de todos os outros na simulação de segundo turno.
O melhor colocado desse segundo batalhão é Ronaldo Caiado, que chega a pontuar 42% das intenções de votos contra os 46% de Lula. Mas isso não lhe adianta muito, enquanto Flávio Bolsonaro continuar resiliente – como continua – sendo o mais cotado para ir ao segundo turno.
Ou seja, a pesquisa mostra que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro se consolidou como o adversário de Lula, não abrindo espaço, por enquanto, para nenhum dos outros nomes da direita.
O voto dos eleitores estaria praticamente cristalizado, com Lula e Flávio Bolsonaro em um patamar mais acima e distantes dos adversários.
O que deixa a equipe do PL maais assustada é que a comparação com a eleição de 1998. O então presidente, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), também decidiu não participar de debates. Afirmou que precisava focar na administração do país e no combate à crise econômica internacional da época.
Com essa estratégia FHC evitou o confronto direto com Lula na TV e nas rádios e acabou vencendo a eleição já no primeiro turno. Exatamente o que o PT mais quer.
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