Tales Faria

Revogação de visto de embaixadora é ação eleitoral dos Estados Unidos

Para o governo brasileiro, ação dos EUA não tem consequências econômicas. Resta saber se é crise ou apenas um mal estar que se resolve após as eleições

Revogação de visto de embaixadora é ação eleitoral dos Estados Unidos
Chanceler Mauro Vieira atribui ao secretário de Estado Marco Rubio ação para tentar confundir o eleitorado no Brasil Crédito: Divulgação MRE

O governo brasileiro avalia que a revogação do visto da embaixadora nos EUA, Maria Luiza Viotti, não tem consequências econômicas. Trata-se de uma tentativa do secretário de Estado daquele país, Marco Rubio, de interferir, nas eleições brasileiras.

Não se sabe o nível de envolvimento do presidente Donald Trump no assunto. Por isso, não há ainda uma decisão do governo brasileiro de como reagir. A princípio, no entanto, a ideia é não escalar o problema.

Do ponto de vista das relações administrativas e econômicas com os EUA, a Embaixada continuará ativa, sob o comando dos ministros-conselheiros do setor Econômico e de Negócios; o do setor Político e de Relações com o Congresso; e o de Assuntos Administrativos, Culturais e de Imprensa. Normalmente o encarregado de Negócios responde na ausência dos titulares das embaixadas.

Maria Luiza Viotti não foi declarada "persona non grata". Permanecerá nos EUA. Deve continuar atuando informalmente no comando da equipe da Embaixada até que se resolva a questão diplomática entre os dois países.

Quem cuidará diretamente das negociações de alto nível será o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o Palácio do Planalto – ou seja, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, o ex-ministro Celso Amorim.

A diplomacia brasileira quer agora entender como tratar o problema: é apenas um mal estar ou uma crise diplomática? Pode-se deixar para resolver o assunto depois das eleições presidenciais aqui no Brasil e nos EUA?

Segundo a Secretaria de Estado norte-americana, o agrément da embaixadora foi revogado devido à demora do Brasil em conceder o aval à vinda de Daniel Perez, indicado em 1º de junho pelo presidente Donald Trump para assumir como embaixador no Brasil.

Filho de cubanos como Marco Rubio, Perez é presidente da Câmara de Representantes da Florida (equivalente a Assembleia Legislativa) e muito ligado politica e ideologicamente ao secretário de Estado.

A lentidão em conceder seu agrément se deveu ao fato de Perez ter sido anunciado publicamente por Rubio sem consultas informais o governo brasileiro, como é praxe na diplomacia. A ideia era esperar até depois das eleições para formalizar a aceitação no Brasil.

Agora há dúvidas no Palácio do Planalto se a simples e rápida concessão do agrément para o embaixador norte-americano terá a reciprocidade dos EUA quanto ao visto para Maria Luiza Viotti. Se for assim, estará tudo resolvido. Mas a expectativa é de que o assunto ainda deve render por algum tempo e por algumas rodadas de conversa.

Afinal, os presidentes de ambos os países não querem guerra aberta, mas torcem pela derrota um do outro. Ambos gostariam de esperar para ver o resultado das urnas. Elas só devem se revelar no final do ano.