O pré-candidato do PL a presidente da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), anunciou nesta quarta-feira, nos EUA, que pretende propor ao governo de Donald Trump a adoção de uma área de livre comércio do Brasil com os países da América do Norte. Em live divulgada no seu canal do Youtube, ele afirmou:
"Uma coisa que eu quero adiantar a todos vocês aqui é que, nessas conversas que eu terei agora, eu vou informar que pretendo juntar minha parte técnica do novo governo do Brasil para falar o seguinte: não tinha o Nafta (North American Free Trade Agreement)? É um acordo de livre comércio da América do Norte. A sigla mudou, mas continua sendo, na essência, o mesmo Nafta, área de livre comércio entre Estados Unidos, México e Canadá. Eles apenas evoluíram em alguns setores, incluindo, por exemplo, a questão da propriedade intelectual, que é uma das acusações que estão sendo feitas contra o Brasil nessa imposição das tarifas de 25%. Qual a minha ideia? Em vez do antigo Nafta, a gente pode cortar essa letrinha "N" e fazer o Afta, o acordo de livre comércio das Américas, onde o Brasil pode se incluir."
Segundo Flávio acredita, as economias dos Estados Unidos e do Brasil, são complementares. Seria "uma avenida imensa de oportunidades" para trazer investimentos dos norte-americanos. "Então por que a gente não cria essa zona de livre comércio direto com esses três países – México, Estados Unidos e Canadá –, com o Brasil puxando a fila?"
Flávio Bolsonaro lembrou que o presidente da Argentina, Javier Milei, já fechou um acordo com os Estados Unidos que tem centenas de produtos com tarifa zero no comércio entre os dois países. Ele esqueceu, no entanto, o quanto esse acordo está sendo criticado na Argentina.
No Brasil, a proposta soaria como uma bomba sobre a elite empresarial. Tão grande quanto foi a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), no final da década de 1990 e início dos anos 2000. A Alca foi proposta pelos Estados Unidos em 1994 sob forte oposição, por exemplo, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
A entidade temia que a indústria nacional fosse "levada de roldão" devido à entrada massiva de produtos norte-americanos. Produziu um estudo mostrando que quase metade das exportações brasileiras para a América do Norte não se beneficiaria da zeragem de tarifas. Obrigou o então presidente, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a montar uma verdadeira força-tarefa diplomática para fugir das pressões do colega dos EUA, Bill Clinton.
Ao reapresentar a ideia, Flávio Bolsonaro estará soltando uma bomba no meio empresarial brasileiro quase tão grande quanto o tarifaço.
O PT já está festejando. Vice-líder do partido na Câmara, o deputado Lindebergh Farias (RJ) postou no Twitter: "A indústria brasileira seria massacrada, empregos seriam destruídos e o país perderia instrumentos fundamentais para proteger sua economia, sua produção nacional e sua integração com a América do Sul. Flávio não defende o Brasil. É um entreguista que defende os interesses de [Donald] Trump, dos EUA e de quem quer um país fraco, dependente e subordinado. É um projeto colonial contra a economia brasileira."
Menu