Neste sábado, 5, Carlos Bolsonaro, o filho Zero-Dois do ex-presidente Jair Bolsonaro, visitou o pai na prisão domiciliar e deixou nas redes sociais o que está sendo entendido por aliados como um recado.
Ciente da briga entre sua mulher, Michelle, e o Filho Zero-um, Flávio, Bolsonaro pai está do lado dos filhos. É o que deu a entender Carlos Bolsonaro. Ou seja, embora Michelle tenha declarado que o marido sabia do vídeo, Carlos passa a mensagem de que o pai não soube antecipadamente do conteúdo e muito menos concordou com o que ela disse. Tanto assim que está muito bem com os filhos. Disse Carlos no twitter:
"Foram duas horas de boas conversas, que o fizeram [a Jair Bolsonaro] recordar momentos ao lado das pessoas, no mar e nas ruas. Chegamos o mais próximo disso, e foi muito importante para nós. Ele está ciente de tudo o que se passa aqui fora, embora esteja, obviamente, impedido de acessar conversas nas redes sociais. Anteriormente, recebeu a visita do meu irmão @FlavioBolsonaro e disse que a conversa foi muito boa e tranquila. Perguntou também sobre meu irmão e seu filho [Eduardo], @BolsonaroSP, pois eles não podem ter contato. Disse a ele que segue trabalhando como sempre."
Tradução de aliados de Flávio nas redes:
1) Jair Bolsonaro teve "duas horas de boas conversas" com o filho que sempre teve o pior relacionamento com a madrasta;
2) Ele está "ciente de tudo" que se passou (ou seja, ciente da briga)
3) Antes, Bolsonaro também conversou com Flávio Bolsonaro;
4) Bolsonaro disse a Carlos que a conversa com Flávio foi "muito boa e tranquila".
Vale notar que Carlos não citou o nome da madrasta. Deixou claro dois campos: o dos filhos citados, e o resto. Michelle está no resto.
Você, caro leitor, que tem uma vidinha comum, acha que seu casamento sobreviveria assim, com sua mulher em guerra aberta com os filhos, e com você do lado dos filhos?
É provável que sua resposta seja não, não sobreviveria o casamento. Mas entre políticos as coisas são diferentes. Eles precisam avaliar com cuidado os custos de uma crise, um rompimento às vésperas de uma eleição, ou da possibilidade de manter a crise sob controle.
Lula passou por isso recentemente com um dos seus melhores amigos dentro do PT, o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner, apontado como envolvido no caso do Banco Master. O presidente e seu alto comando avaliaram que não dava para manter a crise sob controle com Wagner no cargo, e decidiram tirá-lo dos holofotes. O amigo foi afastado da liderança do governo.
Essa é a pergunta que o alto comando do PL, Bolsonaro e seus filhos estão se fazendo sobre a campanha eleitoral de Flávio, considerada decisiva para o pai poder sair da prisão: vai dar para manter a crise em suspensão? O pai poderá manter o casamento e sem ferir a campanha do filho?
Trata-se de uma lição que tanto o clã Bolsonaro quanto Lula e os petistas já estão tirando: o mais difícil em eleições é quando as situações pessoais do candidato colidem com as necessidades das campanhas. Um rompimento quase sempre é inevitável.
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