O governo brasileiro vê risco de que o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), já tenha conseguido melar as negociações sobre o novo tarifaço que Donald Trump ameaça aplicar contra o país.
É que o pré-candidato do PL já prometeu tantas concessões aos EUA, caso vença as eleições de outubro, que o governo norte-americano pode simplesmente decidir congelar as negociações com o governo brasileiro à espera do resultado das urnas.
Há alguns sinais de que isto possa ocorrer. Até agora o governo dos Estados Unidos não informou oficialmente ao Brasil sobre o tarifaço e, nos primeiros contatos sobre o assunto, em nenhum momento os norte-americanos começaram de fato a negociar. Não deixaram claro, sobre nenhum ponto, o que exatamente querem do Brasil.
Na carta que enviou, no dia 02, ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Flávio Bolsonaro pediu o adiamento do tarifaço para depois das eleições. Afirmou que, se eleito, poderá até acabar com o Mercosul.
Além disso, ele acenou com a edição de uma lei para limitar transações com pix, assim como – entre outras vantagens para os EUA – a eliminação de tarifas para o etanol e a redução da carga tributária de empresas de cartão de crédito.
A divulgação da carta na semana passada, com tantas promessas de benesses aos norte-americanos em pontos tão importantes para a economia brasileira, acabou provocando uma reação negativa do empresariado que assustou o pré-candidato.
Nesta terça-feira, 07, Flávio Bolsonaro discursará por cinco minutos na audiência pública do USTR, em Washington. O início de sua fala está previsto para às 11h, no horário de Brasília. Flávio Bolsonaro será o primeiro a falar no painel, que terá ainda a participação de Roberto Azevêdo, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e Letícia Sperb Masselli, pela Abicalçados.
O governo brasileiro não participa das audiências, mas mandou observadores. Quer ver se Flávio recua em sua argumentação ou se ele pretende manter o que disse na carta. Num primeiro momento, o chanceler Mauro Vieira já enviou ao governo norte-americano um dossiê com mais de 80 páginas rebatendo as acusações do processo no USTR. Mas poderá fazer acréscimos, dependendo do que diga Flávio Bolsonaro nesta terça-feira.
De qualquer maneira, o Palácio do Planalto avalia que a atuação de Flávio até o momento serviu como um tiro no pé em sua campanha. Primeiro, quando junto com Eduardo Bolsonaro promoveu o tarifaço; depois, com a carta pedindo o adiamento para depois das eleições e com as promessas de benesses aos EUA. Tudo isso será usado na campanha do PT, independentemente de Flávio Bolsonaro recuar ou não.
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