Correio da Manhã
Tales Faria

PF sinaliza que Vorcaro ainda pode denunciar

Com sua volta à Papudinha, Vorcaro pode entender que está a caminho de um presídio pior - a Papuda - e que ainda há tempo para ele negociar uma delação de verdade

PF sinaliza que Vorcaro ainda pode denunciar
Daniel Vorcar Crédito: Divulgação Banco Master

A transferência do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, para a Papudinha autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi entendida no governo e até no meio político de Brasília como um sinal de que a Polícia Federal não descartou completamente um acordo de delação premiada.

A chamada Papudinha fica nas dependências do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, dentro do Complexo Presidiário da Papuda. Vorcaro já esteve lá, de passagem, assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro (que pode voltar agora) e seu antigo ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid.

A prisão abriga autoridades, ex-policiais e presos que necessitam de regime de segurança diferenciado, assim como os que possuem direito à prisão especial, ou que estejam em negociação de delação premiada e precisam ficar afastados dos demais presos.

Tecnicamente, desde que as duas propostas de delação do ex-banqueiro foram recusadas pela PF e pela Procuradoria Geral da República (PGR), não há mais motivo para que Vorcaro seja mantido em algum tipo de prisão especial como a da Papudinha. Foi a PF pediu a André Mendonça a transferência sob argumento de que o local só tem cela para presos de passagem. Ele cumpre prisão preventiva, sem prazo determinado.

Mendonça, por sua vez, afirma em seu despacho, que a decisão de transferência não tem relação com as tratativas de delação. Não convenceu muito.

A avaliação no governo e até entre políticos integrantes do centrão e da oposição, é que a PF esteja sinalizando a Vorcaro, com sua volta à Papudinha, que ainda há tempo para ele negociar uma delação de verdade. As duas propostas que apresentou foram consideradas absolutamente insuficientes. Não trazia nada de novo que os investigadores já não tivessem apurado.

A Papudinha não dispõe da privacidade das dependências da PF para conversar com seus advogados. Mas está longe do desconforto de um presídio comum.

Segundo a Polícia Militar são oito alojamentos coletivos, reformados em 2020, compostos por banheiro com box, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. Os presos podem receber material padronizado de higiene, limpeza, enxoval e roupas definidos pela administração penitenciária.

O problema é que também está preso na Papudinha o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, alvo da Operação Compliance Zero e, como Vorcaro, um possível negociador de delação premiada.

Para prevenir, Mendonça escreveu: "[...] considerando a presença de outro investigado na Operação 'Compliance Zero' nas mesmas instalações, impõe-se a adoção das providências administrativas necessárias para assegurar a absoluta incomunicabilidade entre o referido investigado e o requerente, com vistas à preservação da higidez e efetividade das investigações em curso."

Será que isso garante que não entrarão em contato para ajustar suas narrativas?