Os ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin já não estão mais às turras como logo após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciar a preparação de um código de ética para a Corte. A recomposição de forças começou no dia 16, quando o decano Gilmar prestou uma homenagem a Fachin pelos seus 11 anos na Casa.
Ele listou processos conduzidos pelo colega e presidente do colegiado ao longo da sua trajetória no Supremo - como a ADPF das Favelas. Disse que os casos revelam um mesmo fio condutor: a "leitura da Constituição como projeto ainda inacabado de inclusão".
"Concorde-se ou não com cada conclusão, é impossível negar a estatura dos fundamentos e a constância do método" argumentou, sem deixar de admitir divergências entre os dois: "Em muitas questões, apresentamos visões distintas sobre as matérias em julgamento, e assim decerto seguiremos, porque é exatamente disso que se nutre um colegiado saudável."
O presidente do STF (retribuiu com um elogio a Gilmar dois dias depois, em discurso de homenagem aos 24 anos do decano na Corte. Elogiou a "permanente disposição para o debate das ideias" do magistrado."Passadas mais de duas décadas, é possível afirmar que sua excelência não apenas se integrou ao Supremo Tribunal Federal. Tornou-se uma de suas referências institucionais mais permanentes e reconhecidas", disse.
O aceno de Gilmar tem como motivação se dedicar a uma batalha mais urgente e importante para alguns ministros do STF: a ameaça de bolsonaristas de priorizar impeachments de integrantes da Corte a partir do ano que vem.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) instruiu seus seguidores a elegerem o máximo de senadores agora em outubro para tentar montar uma maioria na Casa capaz de cassar o mandato de ministros do Supremo. Pela Constituição, o impeachment dos integrantes do STF é decidido pelo Senado.
O centro do alvo dos bolsonaristas são os principais aliados de Gilmar Mendes: os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Dias Toffoli. O ex-presidente acredita que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, será uma peça valiosa para seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Palácio do Planalto.
Gilmar, Alexandre de Moraes, Dino e Toffoli sabem desses planos e, por esse motivo, também trabalham pela recomposição de forças no STF.
Mas os quatro ministros não se mexem apenas nesse campo. Também já começam a se preocupar em formar uma bancada no Senado com o objetivo de os defender dos ataques bolsonaristas.
O exemplo mais explícito dessa disputa silenciosa no Senado é o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Sabedor do interesse de Gilmar & Cia, ele se apresentou como uma força auxiliar do Supremo. Até porque Alcolumbre sabe que também pode precisar dos ministros como blindagem contra investigações em andamento,
Uma dessas investigações, a do Banco Master, caiu no colo de André Mendonça, principal nomeação do bolsonarismo para o STF.
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