Correio da Manhã
Tales Faria

PT prevê relação 'muito difícil' com o TSE nessas eleições

O TSE estará sob a gestão dos ministros Nunes Marques e André Mendonça, escolhidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro; Mendonça seria o mais hostil

PT prevê relação 'muito difícil' com o TSE nessas eleições
Kassio Nunes Marques e André Mendonça Crédito: STF

Essas eleições 2026 prometem ser as que terão o relacionamento mais difícil entre o PT e a Justiça Eleitoral desde a redemocratização do país. A avaliação é do comando nacional do Partido dos Trabalhadores.

Motivo: é que nesse período o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estará sob a gestão dos ministros Kassio Nunes Marques, como presidente, e André Mendonça, como vice. Ambos foram escolhidos para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do candidato do PL a Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (RJ).

A esperança dos petistas é que Nunes Marques se revele, na avaliação deles, menos agressivo em relação do PT do que André Mendonça. Este já está sendo alvo de constantes reclamações dos políticos do partido.

São apontadas decisões recentes do ministro Mendonça que os petistas reputam como verdadeira perseguição. As mais recentes foram 1) a determinação de remoção de publicações nas redes sociais que associavam o candidato Flávio Bolsonaro ao crime organizado, e 2) a derrubada de posts que ligavam o senador do PL à escala 7x0.

No caso da menção ao crime organizado, o PT cita vídeos em que Flávio Bolsonaro acusa seu adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de não combater a criminalidade propositadamente e defender até ladrões de celulares.

"O ministro proibiu vincular Flávio com Vorcaro e Flávio com as milícias, por que? É segredo de polichinelo, até o reino mineral sabe. Só falta proibir o Tariflávio", postou nas redes sociais o vice-líder do governo na Câmara, Rogério Correia (PT-MG).

No caso da escala 7x0, o argumento da campanha do PT é baseado no projeto que o chefe da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentou ao Congresso.

O texto propõe a flexibilização da jornada de trabalho por livre negociação entre patrões e empregados. Em tese, segundo o PT, isso pode chegar a que o trabalhador aceite vender todos os seus dias de folga. Ou seja, trabalhar nos sete dias da semana e folgar zero.

Além disso, os petistas apontam que André Mendonça, como relator do inquérito sobre o Banco Master, não teria tomado nenhuma atitude concreta em relação ao fato de Flávio Bolsonaro ter sido flagrado cobrando do dono do banco, Daniel Vorcaro, R$ 134 milhões para a produção do filme sobre seu pai.

Os petistas reclamam de que Mendonça agiu com dois pesos e duas medidas ao determinar buscas e apreensões imediatas nos endereços do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), por ele pedido ao ex-sócio de Vorcaro que comprasse um apartamento de R$ 2,4 milhões destinado à sua filha.

A ordem dentro do PT é acionar força máxima entre os advogados do partido visando se prevenir contra um período "muito difícil" que vem aí pela frente.

Uma das estratégias será buscar formas de se aproximar de Kassio Nunes Marques. Ele deve presidir a Corte até maio de 2028. Depois disso, a partir do segundo semestre de 2029, ele presidirá o Supremo Tribunal Federal.