Correio da Manhã
Tales Faria

Brasil acenará com outros parcerios contra tarifaço dos EUA

A China divulgou, nesta terça-feira, que pretende ampliar os negócio com o Brasil e, e tambémuma nota de apoio à "soberania, independência e autonomia" brasileiras

Brasil acenará com outros parcerios contra tarifaço dos EUA
Lula e Xi Jinping Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez questão de deixar claro logo na abertura da reunião ministerial dessa quarta-feira, 3, qual será a principal estratégia de negócios do governo brasileiro após o novo tarifaço dos Estados Unidos: o país vai aprofundar a busca por novos parceiros para minimizar os impactos das alterações nas políticas comerciais norte-americanas.

"Não vamos ficar chorando. Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele [o presidente dos EUA, Donald Trump] não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano", disse o presidente.

Lula já havia dado ordem aos ministros da Fazenda, Dario Durigan, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para estreitarem os laços com a China. A ideia é usar a disputa comercial e geopolítica entre Trump e o país asiático para diminuir o poder de fogo de Donald Trump nas negociações com o Brasil.

Coincidentemente, no dia anterior à reunião ministerial, o Conselho de Estado chinês havia divulgado uma nota de apoio à "soberania, independência e autonomia" brasileiras.

A manifestação em favor do Brasil ocorreu em Pequim, durante um evento chamado "Diálogo Estratégico Abrangente China-Brasil" em que o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, falou em avançar nos intercâmbios com o Brasil não só na área comercial como também em assuntos culturais, de educação, turismo, esportes, juventude, tecnologia e meios de comunicação.

Lula quer conversar pessoalmente com Trump. Para isso, na reunião ministerial anunciou que irá ao encontro do G7 marcado para os próximos dias 15 e 17 de junho, quando acredita que poderá encontrar com o colega norte-americano, nem que seja por pouco tempo, para marcar uma coversa mais longa. "Eu nem ia ao G7, mas agora eu vou", afirmou.

O presidente brasileiro não pretende entrar em choque com Donald Trump, mas deixar claro que o Brasil tem outras opções comerciais que não os EUA, assim como tem produtos que interessam aos norte-americanos, tais como as chamadas terras raras ou minerais críticos. Depois da China, é o Brasil que tem as maiores reservas do mundo.

Não se trata de oferecer nossos produtos em troca de diminuição das tarifas, mas de acenar que, se não houver boa vontade dos EUA, produtos que interessam àquele país podem ser negociados com outros.

No caso da carne bovina, por exemplo, os EUA enfrentam escassez ao mesmo tempo em que a China acaba de declarar que considera o Brasil livre de febre suína. Isso significa que a importação de carne brasileira pelos chineses tende a aumentar. A China compra cerca da metade da carne de boi exportada pelo Brasil.

A preocupação dos EUA neste ponto fez, inclusive, com que a carne não entrasse no aumento de tarifas proposto no tarifaço.

Lula acredita que as taxas propostas contra o Brasil não tiveram o aval definitivo de Trump. Sendo assim, ele acha que a conversa olho no olho terá importância.