O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) passou a semana esperando um chamado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a fim de dar-lhe pessoalmente a resposta definitiva ao convite para se candidatar a governador de Minas Gerais com o apoio do governo federal.
Pacheco achava de bom tom esse encontro com o presidente, já que recebeu o convite pessoalmente. Mas Lula preferiu não cumprir o ritual.
O presidente da República já havia mandado emissários a Pacheco para saber qual seria a resposta. Um desses foi o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que, a propósito, chegou a anunciar em entrevista ao Warren Investimentos, no último dia 19, que o partido já não contava mais com a candidatura de Pacheco. Antes, ele havia passado a informação ao presidente.
O senador não gostou da antecipação pública do anúncio. Preferia dar, ele mesmo, essa notícia à imprensa após encontrar-se com Lula. Mas o presidente da República achou que apenas sofreria mais um desgaste. Que a desistência poderia integrar mais uma articulação contra ele promovida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem em Pacheco seu principal aliado no Congresso.
Após presidir a Casa entre 2019 e 2021, Davi Alcolumbre fez campanha e elegeu Pacheco seu sucessor. Este, por sua vez, ao deixar o posto em 2025, trabalhou pela volta do atual presidente do Senado ao posto. Agora, Alcolumbre vinha fazendo campanha para eleger Pacheco como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Ele já havia defendido o nome do senador para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mas o presidente Lula preferiu indicar seu ex-ministro da Justiça Flávio Dino. E preteriu novamente Pacheco neste ano, indicando o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Alcolumbre vingou-se derrubando a nomeação de Messias no plenário do Senado. Isso fez ruir a sua relação com o presidente da República. No último encontro que tiveram, Lula e Alcolumbre foram colocados sentados lado a lado pelo cerimonial do Tribunal, mas praticamente não trocaram olhares.
Como desde então Alcolumbre vem dando sinais divergentes sobre se deseja ou não se reaproximar do governo, Lula instruiu Edinho Silva a articular outro nome para a cabeça de uma chapa governista em Minas Gerais. E está se preparando, embora não quisesse, para um embate mais duro no Senado. Ele anunciou até que irá incicar novamente Jorge Messias para o STF.
Rodrigo Pacheco, por sua vez, resolveu desistir de esperar o chamado do presidente para um encontro e anunciou, nessa sexta-feira, não só que não será candidato a governador, como também que não pretende se tornar ministro do TCU, nem do STF. “Não tenho apego ao poder e não preciso da política para sobreviver”, disse.
A sorte de Lula é que também seu principal adversário na corrida pelo Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ainda não conseguiu montar um palanque em Minas Gerais em defesa de sua candidatura.
Minas, vale lembrar, é tido como o estado mais importante do país em eleições presidenciais. Nenhum presidente da República foi eleito sem ter vencido junto ao eleitorado mineiro.
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