A estimativa do Banco Central divulgada nesta segunda-feira, 1º, para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que é a referência da inflação no país – passou de 5,04% para 5,09% em 2026, conforme a pesquisa semanal do Boletim Focus com a expectativa de instituições financeiras sobre indicadores econômicos. Para 2027, a projeção da inflação variou de 4,01% para 4,02%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,66% e 3,5%, respectivamente.
O mercado aponta como responsável, nas últimas semanas, a guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço dos combustíveis e, portanto, a inflação. Assim, a previsão para o IPCA deste ano foi elevada pela décima segunda semana consecutiva.
Antes, quando a inflação estava sob absoluto controle, o BC e o mercado apontavam a política fiscal do governo como principal impeditivo para que a taxa básica (Selic) do Banco Central não baixasse. De junho de 2025 a março deste ano, o BC manteve a Selic em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Hoje está em 14,50% ao ano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o PT culpam a alta Selic pela inflação. A rolagem dos juros da dívida pública impede o ajuste fiscal e pressiona os preços. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, assumiu o cargo em janeiro de 2025 sob forte expectativa de Lula de que promoveria uma mudança na política de juros de seu antecessor no banco, Roberto Campos Neto, empossado no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Galípolo era uma espécie de "menino de ouro" do presidente Lula. Como economista e ex-CEO do Banco Fator, ele atuou na campanha eleitoral de 2022 junto ao mercado financeiro para reaproximar Lula e o Partido dos Trabalhadores dos players das empresas e dos bancos.
Passada a campanha, ele foi indicado pelo próprio Lula para a equipe de transição e, depois, assumiu a Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda. Como subordinado do ministro Fernando Haddad, cuja confiança conquistou, ganhou espaço rumo ao Banco Central. Tornou-se diretor de Política Monetária e consolidou a confiança do governo assumindo como presidente da instituição.
Na época, o que se dizia no Palácio do Planalto é que Galípolo não faria uma mudança brusca, mas iria alterando aos poucos os rumos da taxa de juros.
Não fez nada disso. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, irritado, chegou a dar entrevistas afirmando que, por ele, a taxa Selic já teria baixado "há muito tempo". Haddad fez questão de dizer que não era uma crítica à instituição e que ele "não estava sozinho" nessa crítica.
Estava apontando para Galípolo, que perdeu duas janelas para mudar a política de juros. Em dezembro de 2024, quando podia parar as altas da Selic e não parou e, em dezembro/janeiro de 2025, quando podia cortar a taxa de juros e não cortou.
É a Galípolo que Lula culpa pelos juros estarem no patamar atual, quase sem ter como controlar a inflação em meio à guerra. O economista Bresser Pereira, que apresentou Galípolo a Lula, chegou a escrever artigo classificando o pupilo como traidor.
Um erro de escolha que Lula compara ao da maioria das indicações de ministros do Supremo Tribunal Federal em seus dois primeiros mandatos. Depois que assumiram, nada mais podia ser feito. Assim como nada se pode fazer agora com Galípolo. Só resmungar que foi uma decepção.
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