Correio da Manhã
Tales Faria

Lula espera um gesto de Alcolumbre para se entenderem

Presidente do Senado quer a reaproximação com o governo, mas Lula quer garantias de que presidente do Senado não o atacará novamente

Lula espera um gesto de Alcolumbre para se entenderem
Como será relação com Alcolumbre daqui para a frente? Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deseja um encontro entre os dois "para recompor a relação".

Lula também deseja a recomposição, mas respondeu ao ministro que precisa de um gesto de Alcolumbre em direção ao governo para que esse encontro possa ocorrer. Esse gesto tem a ver com a votação da derrubada da escala semanal de seis dias trabalho por um de folga, a jornada 6x1.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado de Alcolumbre no Amapá, garantiu: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) aprovada na Câmara que estabelece a jornada 5x2 "será votada nesse junho". Alcolumbre não trabalhará contra e nem retardará a votação, tem dito no Palácio do Planalto.

Mas não está claro para os auxiliares do presidente, ainda, qual o gesto relativo à votação da troca da 6x1 pela 5x2 que Lula entenderá como uma demonstração do interesse de Alcolumbre em se reaproximar do governo o suficiente para marcar o encontro entre os dois.

A relação entre ele e Alcolumbre se deteriorou depois que o presidente do Senado comandou a derrubada pelos senadores da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre tem dado sinais desencontrados desde então. Ora diz a interlocutores que auxiliará o governo, ora se aproxima da oposição.

Lula acha que já sofreu "desgastes demais" com a derrota na votação e já anunciou até que pretende indicar Messias novamente. Ele precisa saber se Alcolumbre tentará impor nova derrota ao governo. Também gostaria de se reaproximar do presidente do Senado. Mas quer saber, antes de se encontrarem, se ao estender a mão não acabará sofrendo novo desgaste.

Para evitar esse tipo de arranhão na sua autoridade o presidente da República desistiu de se encontrar na sexta-feira com um aliado de Alcolumbre, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), a quem tinha convidado para se candidatar a governador de Minas Gerais em chapa apoiada pelo governo federal.

Lula pediu ao presidente do PT, Edinho Silva, para sondar se o senador aceitaria e, ao saber que viria uma recusa, deixou o senador esperando pelo encontro a semana inteira. Não marcou nada.

Agora está nas mãos de Alcolumbre a escolha do relator da 5x2 e Pacheco é um dos cotados. Lula pode ficar novamente dependente do senador.

Há, portanto, vários pontos na tramitação da derrubada da jornada 6x1 no Senado em que Alcolumbre pode sinalizar de que lado estará.

O primeiro será após a reunião com líderes nesta semana para discutir a tramitação da PEC: se Alcolumbre enviar o texto imediatamente para a CCJ. O segundo, a escolha do relator. O terceiro, se envia o texto somente para a CCJ, ou se também manda para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde há maior resistência à PEC.

Finalmente, quando Alcolumbre marcará a votação em plenário e se trabalhará pela aprovação do texto como saiu da Câmara, ou por alterações que o façam voltar a nova votação pelos deputados.

Ou seja, há vários momentos para Lula considerar apropriado um encontro de reaproximação.