Trump se acha o dono do mundo. Em cada território ele busca seus aliados. Interfere nos assuntos locais. Em algumas partes do planeta, ele apoia o extermínio em massa, como na Faixa de Gaza. Tem ao seu lado um extremista de direita, Benjamin Netanyahu, que desonra Israel, país incrível e única democracia do Oriente Médio. O Hamas é um horror, assim como o Hezbollah, mas nada justifica o contínuo assassinato de crianças, adultos e idosos inocentes no Líbano e em Gaza.
Já na Venezuela, o interesse era tomar a produção improdutiva do petróleo das mãos do ditador Maduro. Mas no Irã, o mico é grande. O Estreito de Ormuz é controlado pelo pavoroso regime xiita radical. Com a China e com Putin ele é um gatinho. O rabo entre as pernas.
Aqui, na América do Sul, o governo do presidente Lula tem sido altivo e não submisso às tentativas de subjugar o Brasil aos interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos.
Lula o encara de igual para igual. Lula conviveu com os presidentes Bush, Obama e Biden, e sempre teve uma relação com os republicanos, centro-direita e direita, e com os democratas, centro-esquerda e esquerda, de estadista para estadista, sempre em tom respeitoso. Mesmo com interesses divergentes em algumas situações.
A direita brasileira apostou no constrangimento do governo Lula e do STF, pelas medidas adotadas por Trump. Das absurdas taxações aos produtos brasileiros à lei Magnitisky. Bola fora!
Estamos há 4 meses das eleições, e a desesperada direita brasileira vai ao seu tutor Trump, e cria uma jogada de marketing para constranger o governo do presidente Lula.
Mais uma bola fora! A direita apostou no pavor e ódio do povo brasileiro às organizações criminosas: PCC e Comando Vermelho, que infernizam a vida da sociedade brasileira, e seu candidato foi a Washington pedir ao tio Trump para formalizar e declarar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Ora, elas são organizações criminosas! E devem ser combatidas em todas as frentes. Da sua estrutura financeira ao combate ferrenho pelo fim de territórios controlados pelo poder paralelo.
Organizações terroristas foram o ETA, o Exército Separatista Basco, que tinha formulação política de usar o terror para que a região basca se tornasse independente da Espanha. Ou o IRA, o Exército Republicano Irlandês, que lutava pela separação da Irlanda do Norte do Reino Unido.
O Hamas é organização terrorista. Tem como meta o extermínio do povo judeu e o fim de Israel. Assim como a Al Qaeda e o Hezbollah, que desejam a derrota dos valores ocidentais.
Trump atendeu ao filho de Bolsonaro como um apelo da direita brasileira assustada com a iminente perda da eleição para Lula.
Deram mais um tiro no pé ao fazer terrorismo eleitoral e tentar colocar o Brasil como quintal do governo norte-americano, expressão que Marco Rubio, Secretário de Estado, usa com frequência quando se refere a América Latina.
Já Trump, nas eleições parlamentares desse ano nos Estados Unidos, vai sofrer uma fragorosa derrota interna.
*Jornalista.
Instagram: @sergiocabral_filho
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