Na história da humanidade, não há nenhuma nação que se compare com a China na retirada de centenas de milhões de pessoas da extrema pobreza.
Segundo dados do Banco Mundial, foram cerca de 800 milhões de seres humanos. Essa verdadeira revolução tem apenas 48 anos, desde que Deng Xiaoping, em 1978, assumiu o poder.
Acabo de ler o livro, cujo título dá nome a esse artigo, "A Nova China- para além do socialismo e do capitalismo", da brilhante intelectual chinesa, Keyu Jin. Impactante e elucidativo. Keyu é professora de economia da London School of Economics e da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong. Trabalhou no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial. Se formou na Universidade de Harvard. Morou por anos nos Estados Unidos. Tem vivência do Ocidente e do Oriente.
O livro é um mergulho profundo na sociedade chinesa. Traz o processo de transformação inaugurado por Deng Xiaoping no país. Descreve a China sem um caráter oficialesco, mas também sem o preconceito embutido em grande parte dos países ocidentais.
Deng Xiaoping construiu o que se define como o socialismo de características chinesas. O país se abriu às empresas capitalistas e não perdeu a mão do controle do Estado. Em menos de 50 anos, a China é o segundo PIB do planeta, o maior exportador e importador do mundo.
A China é vanguarda na ciência e na tecnologia. Tem uma indústria moderna e de alta competitividade. Foi o país com o maior volume de investimentos no Brasil, em 2025.
Keyu Jin aponta os desafios da China na continuidade do seu progresso, já com uma classe média forte e consolidada e com uma faixa grande de bilionários. Os desafios da contínua distribuição de renda sem ferir a força da iniciativa privada do país e das empresas estrangeiras instaladas.
É interessante como um país de partido único, o Partido Comunista Chinês, tem um sistema descentralizado de decisões nas cidades, condados e províncias. E como esses entes têm força e capacidade de investimentos.
A China realiza a diplomacia do "soft power". Está presente nos países do Oriente e do Ocidente pela qualidade dos seus produtos e pela força econômica dos seus investimentos em infraestrutura. Não está envolvida em conflitos e não tem aspiração imperialista.
Tem a maior produção siderúrgica do mundo, a melhor tecnologia de aproveitamento de terras raras, a maior rede de trens de alta velocidade, metrô em todas as cidades de médio e grande porte, universidades de ponta, uma das líderes no desenvolvimento aeroespacial, destaque na medicina pelos seus profissionais e pela tecnologia empregada, enfim, quase inacreditável que esse país, há 50 anos , era um país pobre, agrário e com seu povo chafurdado na pobreza.
Não há precedentes na história da humanidade. Sugiro a leitura do excelente livro de Keyu Jin, lançado no Brasil pela editora Edipro.
*Jornalista. Instagram: @sergiocabral_filho