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Guerra e Paz

A paz traz progresso. A guerra traz desgraça | Foto: Divulgação

Tomo emprestado o título do grande livro do russo Leon Tolstoi para uma reflexão sobre a polaridade que o mundo vive nesse momento, e a minha experiência de como enfrentei esse dilema no estado do Rio de Janeiro.

Donald Trump mudou o nome de Departamento de Defesa para Departamento de Guerra dos Estados Unidos. Isso diz muito sobre  as motivações do presidente.

Aqui no Rio, de 2007 a 2014, mudamos a lógica da guerra urbana entre as forças de segurança do estado no combate às facções criminosas. Antes e depois do meu governo, o povo do Rio viu e vê nossas polícias entrarem em confronto nos locais dominados pelo poder paralelo, troca de tiros, muitas vezes inocentes feridos e mortos, e no dia seguinte a situação não mudou nesses locais. A população continua vítima da opressão e da criminalidade.

Optamos por um outro caminho, no Rio. A polícia foi valorizada com salários dignos, bônus por resultados, frota com manutenção impecável, compra de helicópteros e armamentos, investimentos na formação e despolitização dos comandos.

Todas essas iniciativas visavam uma política de Paz e não de Guerra. Comunidades e bairros deixaram de ser submetidos ao poder paralelo com as Unidades de Polícia Pacificadora. 

Os índices criminais foram reduzidos. “Bala perdida” saiu do vocabulário do jornalismo. Houve redução superior a cinquenta por cento na blindagem de automóveis, o valor do seguro de carro caiu, e o Rio conquistou os grandes eventos internacionais e atraiu inúmeras empresas nacionais e internacionais para se instalar no estado. A paz traz progresso, a guerra traz desgraça.

O marketing de valentões de políticos nacionais e internacionais só traz consequências danosas às regiões que dirigem ou, no caso de Trump, tragédia humana e econômica para todo o planeta.

*Jornalista. Instagram: @sergiocabral_filho