Caiado e Kassab percebem Flávio como alvo principalCrédito: Rudolfo Lago/Correio da Manhã
O detalhe pode ter passado quase despercebido no noticiário. Mas movimentou intensamente os bastidores do PSD. No meio de uma pesquisa sem maiores novidades, a Real Time Big Data aponta a possibilidade de vitória do candidato do partido, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado num eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É uma possibilidade dentro da margem de erro, mas Caiado aparece à frente: 44% contra 43%. É o único cenário na pesquisa (e também em todas as outras recentes) em que Lula não é o vencedor nos cenários pesquisados. O problema de Caiado é conseguir chegar a esse segundo turno, porque ele é apenas o quarto no cenário de primeiro turno, com 7% das intenções de voto, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que tem 33%, e de Renan Santos (Missão), com 9%. Na Real Time Big Data, Lula lidera com 40%.
Lula deixa de ser o alvo
Caiado precisa tirar Flávio do segundo turnoCrédito: Andressa Anholete/Agência Senado
O detalhe na Real Time Big Data consolida uma mudança de tom. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o restante do comando da campanha constataram que de nada adiantava Ronaldo Caiado concentrar seus ataques e críticas no governo Lula. No imaginário atual do eleitorado brasileiro, a referência de oposição a Lula é Flávio Bolsonaro. Bater em Lula significa fazer crescer Flávio, e não Caiado. Diante da constatação, as baterias foram movidas de lugar. O alvo passou a ser Flávio.
Críticas aos Bolsonaros
Caiado critica o fato de Flávio ter se reunido com 42 embaixadores para atacar as urnas eletrônicas. "42 embaixadores numa sala. Dava para vender soja. Dava para abrir mercado para a indústria. Dava para atrair investimento. Resolveram falar de urna eletrônica!", escreveu Caiado. E bate boca com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro por ele ter conseguido o Green Card dos Estados Unidos. "Green Card quem precisa é o produtor rural brasileiro (…) Não é turismo, é autoridade moral para governar". Eduardo passou recibo e respondeu.
Mudou responsável pelas redes
Tudo isso coincide com mudanças na equipe de comunicação de Ronaldo Caiado e do PSD. O jornalista Mauro Zanatta, que acompanhou Caiado na pré-campanha, afastou-se na terça-feira. Ele tinha contrato somente na pré-campanha e não renovou por problemas pessoais. E entrou no comando das redes de Caiado Marcos Carvalho. Que, coincidência ou não, antes trabalhava com Flávio Bolsonaro.
Mais agressivo
Marcos Carvalho tem um estilo mais agressivo de movimentar as redes sociais. E o comando do PSD também já constatava a necessidade de um tom mais incisivo. O Correio Político mesmo já destacara que no Índice Brasil de Impacto Digital (IBR), que mede o desempenho digital dos candidatos à Presidência, Caiado sempre teve o pior desempenho.
Crise de Flávio
A constatação, então, é que uma movimentação mais agressiva e voltada para atacar Flávio poderia movimentar as linhas tectônicas da disputa eleitoral, especialmente porque o candidato do PL enfrenta um momento de crise às vésperas da convenção nacional do partido marcada para este sábado (25), sem conseguir ampliar alianças.
Kassab no jogo
Quando Gilberto Kassab resolveu ser o vice de Caiado, a estratégia já contava com a possibilidade de ampliação de alianças diante das dificuldades de Flávio nesse sentido. Kassab buscava entregar à chapa do PSD justamente sua expertise na negociação política, acenando com uma opção mais palatável para compor.
Santa Catarina
Esse movimento já acontecera em Santa Catarina. Quando a chapa do PL negou espaço para a tentativa de reeleição do senador Esperidão Amin (PP), foi na chapa do PSD, que terá como candidato a governador o ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues. A chapa terá também o apoio do MDB, igualmente escanteado pelo PL.
Neutralidade
Foram essas situações que levaram o PP e o União Brasil a anunciarem na quarta-feira (22) a posição de neutralidade na eleição presidencial. Flávio contava com essa aliança. Até imaginava ter aí a sua candidata à vice-presidência. Numa avaliação parecida, o Republicanos também deverá adotar a mesma posição de neutralidade.
"Fundador"
Há uma brincadeira no campo conservador que Ronaldo Caiado é uma espécie de "fundador" da direita. Porque se classificava assim quando a maioria dos políticos fugia dessa identificação. No PSD, considera-se que Caiado tem realizações a mostrar. Há uma aposta de que tudo pode se somar nesse momento de desidratação de Flávio.
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