Trump e Flávio: uma "química" perigosaCrédito: Reprodução/Vídeo
No Salão Oval da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos começa a dedilhar uma música romântica ao piano. Ele é acompanhado na guitarra por Eduardo Bolsonaro. Na bateria, está Paulo Figueiredo. Então, surge o cantor. Ele é o candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ). "Olá, esse é o meu amigo Trump", canta, em inglês, Flávio Bolsonaro. Do lado de fora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobe nos ombros do ministro do STF Alexandre de Moraes para olhar o que acontece lá dentro. "Eu sei que você está com inveja da nossa química", continua Flávio, provocando seu adversário do lado de fora. Ao final, as imagens de Trump e Flávio se fundem com um coração ao fundo. "Continuaremos marchando, lado a lado", conta o candidato do PL. O vídeo foi produzido com Inteligência Artificial e está no YouTube no canal Canta Direita.
Disputa de narrativas
Alckmin reuniu-se com a Abimaq e outros setoresCrédito: Cadu Pinotti/Agência Brasil
Os bolsonaristas aparentemente adoraram o vídeo, que foi compartilhado em maio por Eduardo Bolsonaro. O Correio Político enviou-o a um assessor político do Palácio do Planalto. Que adorou também. Na estratégia de colar neste momento Flávio Bolsonaro ao tarifaço imposto por Trump, associando também na tarefa seu irmão Eduardo e Paulo Figueiredo, cuja associação com Flávio a essa altura o complica um pouco mais depois da sua declaração de que mulheres não sabem votar, o vídeo ajuda à perfeição.
Colar Flávio no tarifaço
Se a "química" é melhor com Flávio, se ele e o presidente dos Estados Unidos caminham "lado a lado", fica fácil para a tropa de Lula seguir na narrativa de atacar os Bolsonaros pelo tarifaço. A argumentação toda está na entrevista que a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet deu ao Correio da Manhã na segunda-feira (20). No ataque que fez, Simone disse que a negociação brasileira com o governo norte-americano foi interrompida justamente depois que Flávio esteve na Casa Branca.
Reflexos no setor produtivo
O problema de tudo é o tamanho do reflexo das novas taxações no setor produtivo brasileiro. E, então, de que lado os empresários, na sua grande maioria conservadores, impactados ficarão. Na terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin fazia diversas reuniões com o empresariado. Pela manhã, ele esteve com a Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos.
Máquinas
O setor de máquinas é um dos afetados pelo tarifaço. Sua produção não entrou na lista de exceções colocada pelos Estados Unidos. Trump reservou setores dos quais os EUA dependem de importação e jogou a tarifa sobre aqueles que de alguma forma competem com as indústrias americanas.
Reciprocidade
O presidente da Abimaq, José Veloso, colocou-se contra o governo brasileiro adotar contra os EUA a Lei da Reciprocidade. Para ele, a saída do impasse está na negociação. Ele lembrou que na audiência pública promovida pelo Representante de Comércio dos EUA (USTR), mesmo as empresas americanas ficaram contra a taxação.
Crescimento
José Veloso afirmou que mesmo com o tarifaço e queda nas exportações para os Estados Unidos, o setor de máquinas e equipamentos bateu recorde de desempenho, com um crescimento de 12% no acumulado dos últimos 12 meses. Ou seja, Veloso disse que o segmento faz exatamente o que o governo propõe.
Alternativos
Busca mercados alternativos. Na avaliação de Veloso, esse crescimento mostra a resiliência do setor que preside. Se foi para bajular Alckmin ou não, o fato é que Veloso reservou ainda elogios às políticas do governo para enfrentar a situação desde o primeiro tarifaço. Especialmente, disse o presidente da Abimaq, o Plano Brasil Soberano.
Brasil Soberano
O Plano Brasil Soberano foi uma resposta do governo brasileiro para proteger empresas exportadoras e o setor produtivo contra impactos econômicos de choques externos, como o tarifaço. Disponibilizou bilhões de reais em várias linhas de financiamento para ajudar setores prejudicados.
Preocupação
"O governo mostrou muita sensibilidade e preocupação", disse Veloso em entrevista após a reunião. "Nós já tínhamos esse parâmetro desde que enfrentamos o primeiro tarifaço", completou. Resta saber o impacto das demais reuniões de Alckmin. Enquanto isso, Flávio, pelo menos em Inteligência Artificial, canta na Casa Branca...
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