Michelle pode ter dado abraço de afogados em Flávio
21 de julho de 202600:03POR
rudolfo lago
Michelle não lidera mais para o Senado no DFCrédito: Arthur Lamonier/Ato Press/Folhapress
Há um ano, o Instituto Paraná Pesquisas apresentava um levantamento da corrida eleitoral no Distrito Federal. A pesquisa mostrava Michelle Bolsonaro (PL) franca favorita para uma das vagas para o Senado no Distrito Federal. Em junho de 2025, Michelle tinha 42,8% das intenções de voto. Nesta segunda-feira, o Paraná Pesquisas apresentou novo cenário. Michelle caiu quase sete pontos percentuais com relação à pesquisa do ano passado. Tem agora 36%. E não lidera mais a corrida para o Senado. À frente agora está a senadora Leila do Vôlei (PDT), com 39,2%. E há um outro dado que pode ainda complicar a vida de Michelle. Serão dois votos para o Senado. E a terceira colocada, a deputada federal Erika Kokay (PT), é a companheira de chapa de Leila, com 28,4%. Somente depois vem a deputada federal Bia Kicis (PL), a companheira de chapa de Michelle.
Briga dividiu o eleitorado de direita
Celina Leão fica de olho na situação eleitoral de ArrudaCrédito: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília
O Paraná Pesquisas só mediu as intenções de voto. Mas parece evidente que a queda de Michelle reflete a divisão que sua briga com seu enteado Flávio Bolsonaro provocou na direita. Que ficou clara em pesquisa AtlasIntel divulgada no início do mês. Numa pergunta direta sobre o vídeo produzido por Michelle atacando Flávio, 51% dos pesquisados em geral concordavam com ele. Quando, porém, fazia-se o estrato somente com eleitores bolsonaristas, o cenário se invertia: 65,6% desaprovavam o vídeo.
Caso Master também reflete no resultado
Michelle não está diretamente envolvida no caso Master, ao contrário de Flávio. Mas os aliados de Michelle no DF estão. Para o Senado, saiu da disputa o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). E ele era o segundo colocado em junho do ano passado, com 36,5%. Ibaneis fora, seus votos não migraram para Michelle. A pesquisa aponta um outro nome do MDB, o deputado Rafael Prudente, com 15,6% para o Senado. Toda a situação pode ter gerado também confusão para o eleitorado da governadora Celina Leão (PP).
Amiga de Michelle, mas seu eleitor é o de Flávio
Celina Leão é muito amiga de Michelle Bolsonaro. Mas, além de seu eleitor ser o mesmo eleitor de Flávio, sua situação particular anda confusa por conta de outra briga, a sua com Ibaneis Rocha. Ibaneis chegou a anunciar rompimento com Celina. Depois, o MDB voltou atrás. A essa altura, ainda não definiu se irá ou não apoiar oficialmente a reeleição da governadora. Celina lançou sua candidatura no sábado (18).
Arruda
No sábado, Celina estava ao lado de Bia Kicis e de seu vice, Gustavo Rocha (Republicanos). O Paraná Pesquisas não divulgou simulação de segundo turno. Na eleição para governador, o segundo colocado é José Roberto Arruda (PSD), e sua situação de elegibilidade está nas mãos do STF. Mais especificamente de Gilmar Mendes.
Pressão
Gilmar Mendes pediu vista do processo que pede a inelegibilidade de Arruda com base na Lei da Ficha Limpa. Só vai devolver no segundo semestre. Enquanto isso, o Correio Político apurou que a turma ligada a Celina tenta pressionar Gilmar a votar na mesma linha de Cármen Lúcia e Luiz Fux, pela inelegibilidade de Arruda.
Segundo turno
Porque o Paraná Pesquisas aponta que haveria segundo turno na disputa para governador entre Celina e Arruda. Num cenário sem Arruda, Celina poderia vencer a eleição no primeiro turno. No caso, ela teria 45,9%, e a soma dos votos nos demais candidatos ficaria em 31,8%. No sistema eleitoral, só são levados em conta os votos válidos.
Esquerda
O processo visto para o Senado com a liderança de Leila não se repete para o governo. A esquerda ligada ao presidente Lula tem dois candidatos na disputa: Leandro Grass (PT), com 11,9%, e Ricardo Capelli (PSB), com 4,5%. Ainda que se unissem, os votos de ambos, segundo o Paraná Pesquisas, não alcançariam Arruda.
Efeitos
Para onde iriam, então, os eleitores dos dois num segundo turno entre Celina e Arruda? Improvável que a maioria fosse para Celina. Impressiona como os acontecimentos dos últimos meses alteraram o quadro eleitoral no DF. Os efeitos do caso Master/BRB e da briga entre Michelle e Flávio produziram um tremendo terremoto na disputa.
Madrasta e enteado
Ao final, o que o levantamento parece demonstrar é o tamanho do estrago produzido pelo petardo disparado por Michelle Bolsonaro. Pesquisas nacionais vêm mostrando a queda de Flávio na disputa para presidente. Agora, o Paraná Pesquisas aponta também o prejuízo de Michelle no DF. Madrasta e enteado deram um abraço de afogados.
Receba as principais notícias do dia
Cadastre-se gratuitamente e fique por dentro de tudo que acontece no Brasil e no mundo.
Ao se inscrever, você concorda em receber nossa curadoria editorial por e-mail e aceita a nossa
Política de Privacidade.