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Simone Tebet: "Tarcísio não se moverá por Flávio"

Simone Tebet: "Tarcísio não se moverá por Flávio"
Para Simone, não interessa a Tarcísio vitória de Flávio Crédito: Reprodução/vídeo

Os dados da pesquisa Datafolha em São Paulo acenderam alguns sinais de preocupação sobre o que pode projetar para a eleição nacional, hoje polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, e o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ). A pesquisa mostrou um cenário no qual o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não fica muito longe da chance de vencer no primeiro turno. Segundo a pesquisa, Tarcísio tem 46% das intenções de voto no primeiro turno, e seu principal adversário, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad tem 30%. O cenário acendeu o alerta porque São Paulo representa um quarto do eleitorado nacional. Para Simone Tebet, porém, ainda que a vitória de Tarcísio no primeiro turno aconteça - o que ela não considera provável -, isso não afeta a eleição presidencial por uma única razão: "Tarcísio não se moverá por Flávio".

 

"Não é interesse do governador"

"Não é interesse do governador"
Tarcísio tem chance de vencer já no primeiro turno Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

"Tarcísio não tem interesse nenhum em ajudar a família Bolsonaro", dispara a Simone. E isso, segundo ela acontece, por uma razão simples: "Tarcísio é presidenciável em 2030". Pelo raciocínio se o governador de São Paulo almeja disputar a Presidência na próxima eleição, ele precisa que agora Flávio Bolsonaro não seja eleito. Porque, se isso acontecer, naturalmente ele será candidato à reeleição, adiando as pretensões de Tarcísio e de outros candidatos do campo conservador.

Mais votos que os adversários

A possibilidade de vitória de Tarcísio no primeiro turno torna-se real porque o sistema eleitoral brasileiro só conta os votos válidos. Dispensa votos nulos, em branco e abstenções. Assim, se um candidato obtiver mais votos que a soma dos votos em seus adversários, isso significa mais de 50% dos votos válidos. Tarcísio tem 46%. Seus adversários, incluindo Fernando Haddad, somam 43%. Abaixo de Haddad, vêm Vera Lúcia (PSTU), com 5%; Vivian Mendes (UP), com 4%, e Carlos Machado (PCB), com 4%.

No resto, disputa apertada

No caso da eleição presidencial, o Datafolha mostra um quadro de empate rigoroso em São Paulo entre Lula e Flávio Bolsonaro: ambos com 35%. De novo, há empate, dentro da margem de erro, num eventual segundo turno: 46% para Flávio e 43% para Lula. Há um dado importante, porém: entre os paulistas, o atual presidente tem rejeição maior que a de Flávio Bolsonaro: 51% rejeitam Lula, 43% rejeitam Flávio.

Senado

O paradoxo dessa situação é que são duas mulheres ligadas ao governo Lula que lideram para o Senado. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) tem 18%. E Simone Tebet vem em segundo, com 16%. Ocorre, porém, que os nomes conservadores não estão muito atrás. O deputado Ricardo Salles (Novo), o primeiro da lista, tem 13%.

Números

Simone Tebet acredita que a situação hoje mostrada na pesquisa irá se alterar quando começar a campanha de fato. "Quando forem mostrados os números, isso será desconstruído", diz a ministra. A ex-ministra cita, por exemplo, as privatizações, especialmente a da Sabesp, que lidera o ranking de reclamações do Procon.

Lula

"No campo nacional, Lula tem uma lista de serviços prestados que não tem qualquer comparação", considera Simone Tebet. Lula disputa a reeleição. E, em São Paulo, Haddad enfrenta situação oposta. "Haddad disputa com alguém que está sentado na cadeira. É a situação oposta da situação nacional". O desafio de reverter seria maior.

Michelle

Na entrevista, Simone Tebet entra ainda na querela que envolve Flávio Bolsonaro e sua madrasta, Michelle, que diz ter sido maltratada por ele.Depois disso, a situação foi agravada pelo vídeo de Paulo Figueiredo, aliado de Flávio, dizendo que as mulheres "votam muito mal" . Simone Tebet solidarizou-se com Michelle.

Sem ideologia

"Como mulher, me solidarizo com ela", afirmou a ex-ministra. "A violência contra a mulher não escolhe classe social, não escolhe raça e não escolhe ideologia", acrescentou. Simone Tebet ressalvou, porém. "Por outro lado, não me surpreendeu", afirmou, referindo-se aos ataques. "O que eles fizeram com as mulheres brasileiras é público e notório".

Despertar os olhos

"É importante para despertar os olhos das mulheres", considera Simone Tebet. A fala de Paulo Figueiredo parece relacionada a um movimento da extrema-direita dos Estados Unidos, que propõe o "voto da família": o homem votaria pela mulher e pelos filhos. "Se propõem isso agora, imagine o que serão capazes se um dia sentarem na cadeira".