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Imóveis públicos: um mercado trilionário em disputa

Imóveis públicos: um mercado trilionário em disputa
O Centrad no DF: exemplo de prédio hoje sem utilização Crédito: Divulgação

Enquanto corre a campanha eleitoral, com os candidatos já bem perto de lançarem oficialmente suas candidaturas, uma disputa acontece nos bastidores em torno de um mercado trilionário: os imóveis públicos hoje sem destinação, tanto da União quanto dos estados e dos municípios. No total, estima-se um valor de mais de R$ 12 trilhões de imóveis que hoje são propriedade do governo federal e dos governos estaduais e municipais. São 742 mil imóveis. E a estimativa é de que pelo menos 7% desse total está sem uso. Há desde ilhas até prédios vários, urbanos e rurais. Somente o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem mais de três mil prédios não utilizados. O mundo imobiliário está de olho nessa mina de ouro. Entre os dias 26 e 27 de agosto, acontecerá no Rio de Janeiro, no Riocentro, o Congresso Internacional do Mercado Imobilidário (Cimi 360).

 

Corretores querem entrar no jogo

Corretores querem entrar no jogo
Manoel Congo é exemplo de ocupação popular Crédito: Conselho de Arquitetura de Urbanismo

Como entrar no universo dos imóveis públicos será um dos principais temas do congresso. Há outras áreas de interesse, como os "ativos estressados" (bens que sofreram forte desvalorização), um mercado estimado em R$ 100 bilhões e 120 mil unidades, e 230 mil cartas de crédito imobiliário paradas gerando um total de R$ 30 bilhões. Mas, segundo disse o CEO do Cimi 360, Heitor Kuser, ao Correio Político, é principalmente o trilionário mundo os imóveis públicos o que mais interessa.

Algumas invasões são famosas

Desde 2023, o governo já vem trabalhando para dar destinação de moradia a muitos desses prédios públicos. E algumas invasões a essa altura já são famosas. Caso da Ocupação Manuel Congo, no Rio de Janeiro, que já completou dez anos. O prédio era a antiga sede do INSS, e é tido como um exemplo bem sucedido de ocupação popular de prédio público. A ocupação faz referência a um importante quilombo situado no município de Vassouras (RJ) no século 19. Outro exemplo famoso é o Avenida Prestes Maia, em São Paulo.

Setor quer fazer parcerias

Segundo Heitor Kuser, o setor imobiliário privado busca fazer parcerias com o governo federal e com os governos estaduais e municipais para transformar os imóveis parados em negócios. Uma dessas parcerias, segundo Kuser, vem sendo discutida com a Empresa Gestora de Ativos (Emgea), que cuida dos ativos pertencentes à União, incluindo aí os imóveis que são postos à venda.

Números

Um relatório de 2023 do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta números impressionantes do desperdício imobiliário público brasileiro. Segundo o relatório, há cerca de 2,5 mil imóveis hoje totalmente ociosos. Invadidos, são 342. Por incrível que pareça, há mais de 17 mil imóveis públicos que aguardam regularização fundiária.

Despesas

A situação gera um paradoxo, observa Kuser. Porque, por pior que seja a utilização, tais imóveis produzem despesas. "O país paga para não usar o que já é seu", critica o CEO do Cimi 360. "São oportunidades urbanísticas perdidas", continua. "Cada prédio poderia virar moradia, cada terreno poderia virar escola ou hospital".

Avaliação

Para Kuser, haveria várias possibilidades de associação do mundo privado imobiliário com o mundo público. O primeiro deles seria quanto à avaliação dos imóveis. "Ninguém melhor para avaliar o real valor de um imóvel que um corretor", defende ele. Uma das coisas defendidas é a formação de convênios para tais avaliações.

Associações

Kuser também imagina associações, nos quais prédios fossem revitalizados ou construídas edificações em terrenos públicos a partir de parcerias. "Tudo é possível, com boa vontade e criatividade", diz o corretor de imóveis. E o tema vai dominar o Congresso Internacional, porque há de fato interesse de outros países nesse mercado trilionário.

40 países

O Cimi 360 projeta receber em agosto cerca de 10 mil participantes de 40 países. Simultaneamente, vai acontecer o 11o Congresso Imobiliário Latino Americano (Cila), que reúne 16 países. É a primeira vez que esse congresso latino americano vai acontecer no Brasil. O modelo adotado no congresso será o de oficinas simultâneas.

Manancial

Provavelmente, não há em nenhum outro lugar um manancial tão grande de negócios possíveis quanto o mundo público imobiliário. Essa é a maior atração que Heitor Kuser imagina para trazer tantos corretores do mundo inteiro ao Rio de Janeiro. Resta torcer para que todo esse potencial trilionário seja utilizado com honestidade e transparência.