Correio da Manhã
cORREIO político

Valdemar não perdoa: Michelle foi mordida pela mosca azul

Valdemar não perdoa: Michelle foi mordida pela mosca azul
Para Valdemar, atitude de Michelle foi quebra de confiança Crédito: Divulgação/PL

O tempo em que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ficou dentro do avião entre Miami e São Paulo foram cerca de dez horas de profunda irritação. Como contamos aqui no Correio Político, Valdemar estava dentro do estádio Miami Giants pronto para assistir ao jogo entre o Brasil e a Escócia, o segundo da seleção na Copa do Mundo, quando tomou conhecimento dos vídeos produzidos por Michelle Bolsonaro desancando seu afilhado, o candidato do PL à Presidência, Flávio. No dia seguinte, Valdemar largou as férias e a Copa do Mundo e embarcou de volta para o Brasil. A conversa que teve com Michelle Bolsonaro foi duríssima. No dia seguinte, toda a equipe que ele tinha montado pra ela no PL Mulher estava em aviso prévio. Valdemar ficou irritadíssimo com Michelle. Ela se queimou com o comando do PL. Não há possibilidade de volta.

 

Para PL, houve quebra de confiança

Para PL, houve quebra de confiança
Para o PL, mulheres de direita seguirão com Flávio Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

Para Valdemar, Michelle "foi mordida pela mosca azul", numa referência ao famoso poema de Machado de Assis sobre os efeitos nocivos da vaidade. A avaliação final é de que ela achava que, diante da crise do Banco Master, poderia ferir de morte a candidatura de Flávio Bolsonaro e assumir o lugar dele. A avaliação do presidente do PL é que houve quebra de confiança. Sem combinar, Michelle usou a estrutura que recebeu do partido para gravar os vídeos. Valdemar tirou-se imediatamente a estrutura.

Medindo o prejuízo feminino

O PL agora mede o prejuízo do episódio junto ao eleitorado feminino. Se é verdade que o trabalho de Michelle vinha ampliando a presença de mulheres na direita, como contamos na sexta-feira (3), por outro lado há uma avaliação que, no campo conservador, o efeito do vídeo foi o contrário do pretendido por ela. A pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou isso. Se no geral 51% dos entrevistados concordaram com a divulgação dos vídeos, no estrado bolsonarista, esse percentual se inverte. Entre os eleitores de Flávio, 65,6% desaprovaram.

Mulheres de direita não têm alternativa

Ou seja, se ela pretendia substituir Flávio como candidata, os eleitores de direita desaprovariam o movimento. Depois da conversa com Michelle, Valdemar ficou até de madrugada na sede do PL discutindo os efeitos do episódio com assessores. Não negou o prejuízo. Mas terminou concluindo que as mulheres de direita não terão alternativa senão seguir com Flávio. A questão é ampliar sobre as indecisas.

Senado

Uma discussão que crescia no final da semana era mesmo se valeria a pena para o PL manter a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal. Embora as pesquisas a mostrem como favorita, duas dúvidas ficavam. Michelle como candidata ajudará a campanha de Flávio? Se Flávio for eleito, ela vai compor a sua base ou vai se tornar um problema para ele?

Bolsonaro

Se Valdemar não soube antes dos vídeos, o mesmo teria acontecido com Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. O jornalista Claudio Dantas contou que houve uma grossa discussão entre Michelle e Bolsonaro. O Correio Político ouviu a mesma versão de interlocutores do PL e mesmo de pessoas ligadas a aliadas políticas de Michelle.

Mais 27 anos?

"Você quer que eu fique mais 27 anos preso?", teria perguntado Bolsonaro a Michelle. A conversa, aos gritos, foi ouvida por seguranças da casa. Bolsonaro enxerga na derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a chance de sair da prisão. Se o movimento de Michelle prejudica a eleição de Flávio, também o prejudica.

Priscila

Na dura conversa que teve com Valdemar, Michelle queria que ele mantivesse, então, a vice-presidente do PL Mulher, a vereadora em Fortaleza, Priscila Costa. Valdemar vetou. Priscila é oficialmente a pivô, em torno da disputa no Ceará, de toda a desavença que levou Michelle Bolsonaro a gravar os vídeos contra Flávio Bolsonaro.

Ceará

No centro da desavença, estava a discussão do apoio do PL do Ceará à candidatura de Ciro Gomes pelo PSDB. Nesse acerto, o PL ficaria com uma vaga ao Senado. Michelle é contra o apoio a Ciro, costurado pelo presidente do PL do Ceará, o deputado federal André Fernandes. E daria a vaga ao Senado a seu pai, o deputado estadual Alcides Fernandes.

Tensão

Manter o PL Mulher sob o comando de Priscila Costa manteria o foco de tensão. Poderia significar que, no final, Michelle teria ganho a queda de braço na disputa com Flávio, pelo menos em torno da questão envolvendo Priscila e o Ceará. Valdemar fez o que, então, relatou Beatriz Matos no Correio da Manhã na sexta. Reformulou tudo.