Kassab como vice de Caiado entra no jogo eleitoral
02 de julho de 202600:01POR
rudolfo lago
Kassab: o centro integrado à direita com CaiadoCrédito: Rudolfo Lago/Correio da Manhã
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, de fato acredita que passará pelo seu partido a quebra da polarização política que já há algum tempo colocam como únicas forças competitivas no país o lulismo e o bolsonarismo. Kassab acredita nisso desde o resultado das eleições municipais, quando o PSD elegeu o maior número de prefeitos do país. Haveria sinais do cansaço da população com a situação, e ela aparece nas pesquisas nos altos índices de rejeição tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto de seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Paradoxalmente, porém, os eleitores seguem apostando nos mesmos nomes. Kassab achava que poderia mudar isso este ano. Sua entrada no jogo, anunciado como candidato a vice-presidente de Ronaldo Caiado (PSD), aponta que de alguma forma ele continua achando, seja para agora ou depois.
Três hipóteses no cálculo
Próxima eleição não terá nem Lula nem BolsonaroCrédito: Reprodução/vídeo
O Correio Político ouviu que há três hipóteses de cálculo no projeto de Kassab. A primeira é, de fato, construir uma candidatura alternativa que quebre essa polarização daqui até outubro, baseada, inclusive, no fato de que o caso Master a essa altura atingiu tanto o PT quanto Flávio diretamente. A segunda é se cacifar para ser um ator importante na definição do segundo turno. O que leva à terceira: sem Lula nem Bolsonaro na disputa, a eleição de 2030 poderá ser a primeira forçosamente fora da atual polarização.
PSD pode sair na frente
Se for reeleito agora, Lula não pode disputar novamente em 2030. Ainda que perca, está com 81 anos. Essa é sua última eleição. Condenado, Bolsonaro estará inelegível. Se Flávio vencer agora, é a única hipótese de manutenção da polarização, disputando a reeleição como representante do bolsonarismo. Assim, a alternativa que se destacar mais agora, numa reeleição de Lula, poderá ganhar a musculatura para se destacar na disputa na qual o eleitor será convidado a avaliar novas alternativas.
Uma ordem mais unida
O fato de ser o presidente do PSD poderá conferir à candidatura do partido uma ordem unida. Hoje, há estados em que o PSD apoia Lula, outros mais próximos de Flávio. A presença de Kassab na chapa pode fazer com que os palanques estaduais se aproximem mais de Caiado. Essa é a aposta de José Roberto Arruda, candidato do PSD ao Governo do Distrito Federal.
Sem volta
"O principal sinal dado por Kassab ao se tornar o vice é dizer que a candidatura do PSD não tem volta", disse Arruda ao Correio Político. "Sua entrada pode gerar unidade na campanha de um partido que está ramificado por todo o país, governando a maior parte dos municípios brasileiros", calcula o candidato ao GDF. Kassab poderia constranger dissidentes.
Problemas
Mas mesmo Kassab sabe que isso não será assim tão fácil. Nenhum dos governadores do PSD esteve presente no ato de oficialização da chapa nesta quarta-feira. E o próprio Kassab admitiu que alguns candidatos nos estados não deverão subir no palanque de Caiado. Casos de Eduardo Paes no Rio e Raquel Lyra em Pernambuco.
Gesto
Para além dos cálculos políticos, porém, a entrada de Kassab na chapa de Caiado teria sido um gesto de solidariedade. Caiado vinha se sentindo solitário na sua campanha, sem conseguir avançar. Na Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta, Caiado apareceu somente com 2,9% no primeiro turno, atrás de Renan Santos (Missão), com 7,8%.
Não era ele
A verdade é que o nome que Kassab gostaria de ver representando o PSD na disputa presidencial não era Ronaldo Caiado. O presidente do PSD inventou a tríade de governadores, mas seu preferido para a disputa era Ratinho Jr., do Paraná. Quando Ratinho Jr. desistiu às vésperas de ser o escolhido, Kassab precisou improvisar na alternativa.
Filiou
Quando o União Brasil desistiu da candidatura de Caiado, ele filiou o governador goiano. Esperando ter ali um cabo eleitoral forte mais à direita. Como esperava ver Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, como cabo eleitoral mais ao centro para impulsionar Ratinho Jr., o perfil de centro-direita que de fato Kassab preferia.
Ele mesmo
Tornando-se o vice, passa a ser o próprio Kassab o contraponto mais ao centro para o discurso mais à direita de Ronaldo Caiado. Uma forma, talvez, de fazer com que a candidatura do PSD não seja vista pelo eleitor como mero genérico da candidatura de Flávio e opte pelo original. Com Kassab, a candidatura não viraria mera cópia da opção.
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