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Zanin cobra avanço de investigação sobre venda de decisões por desembargador

Ministro manteve afastamento de magistrado investigado por corrupção e organização criminosa e destacou que apuração já dura mais de dois

Zanin cobra avanço de investigação sobre venda de decisões por desembargador
Manifestação de Zanin ocorreu ao analisar um habeas corpus apresentado pela defesa Crédito: Carlos Moura/SCO/STF

O ministro Cristiano Zanin (STF) cobrou rapidez na investigação contra um desembargador do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) por suspeita de envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais. O magistrado está afastado das funções desde agosto de 2024, e a apuração ainda não resultou em acusação formal.

A manifestação de Zanin ocorreu ao analisar um habeas corpus apresentado pela defesa do desembargador Helvécio de Brito Maia Neto. O ministro negou o pedido para derrubar a medida que mantém o magistrado afastado do cargo.

"Considerando o tempo transcorrido desde a decretação das medidas cautelares originariamente impostas ao investigado, sem que, até o momento, tenha sido formalizada a acusação, torna-se imperioso conferir especial celeridade à investigação em curso", afirmou Zanin.

O desembargador é investigado por suspeitas de corrupção passiva e organização criminosa. O caso envolve apurações sobre uma suposta organização criminosa formada no âmbito do Judiciário do Tocantins para negociar decisões judiciais, com possível prática de corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo os autos, a investigação também apura suspeitas de que Helvécio teria influenciado promoções de magistrados e proferido decisões de forma ilegal em favor de terceiros. A defesa sustenta que não foram apresentados elementos que demonstrem o recebimento de valores ou vantagens indevidas pelo desembargador.

PERÍCIAS PENDENTES

O afastamento foi determinado inicialmente em agosto de 2024. Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu prorrogar a medida por mais um ano, sob o argumento de que a investigação ainda não havia sido concluída e de que permaneciam pendentes perícias e análises de materiais apreendidos.

Caso passou pelo STF

As investigações relacionadas à Operação Maximus chegaram a ser levadas ao STF para verificar a possível participação de uma autoridade com foro na Corte e uma eventual conexão com outra investigação.

O Supremo, porém, entendeu que não havia, naquele momento, elementos concretos que justificassem manter o caso sob sua competência e devolveu os procedimentos ao STJ.