PF

PF faz nova fase de operação que mapeou propina a Vicentinho Júnior

Nova etapa da Overclean cumpre 24 mandados em seis estados e investiga contratos que somam mais de R$ 80 milhões

PF faz nova fase de operação que mapeou propina a Vicentinho Júnior
De acordo com a PF, as investigações tiveram início em 2024, após a identificação de indícios de irregularidades Crédito: Arquivo/PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (17) uma nova fase da Operação Overclean, investigação que apontou o pagamento de R$ 260 mil em suposta propina ao deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB). Candidato ao governo do Tocantins, o parlamentar teria recebido os valores por meio de uma empresa registrada em nome da mulher, segundo relatório da PF.

A décima fase da Overclean cumpre 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Nesta etapa, os investigadores apuram suspeitas de irregularidades em contratações realizadas pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025.

Ao menos três procedimentos analisados pela PF resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. A investigação apura indícios de direcionamento de contratações para o fornecimento de serviços e materiais didáticos e possíveis crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Vicentinho Júnior não aparece entre os alvos divulgados pela PF nesta quinta. O nome do deputado, no entanto, surgiu em outra frente da Overclean, que investiga um suposto esquema de corrupção e desvio de recursos públicos.

Em relatório da investigação, a PF analisou uma planilha apontada como controle de pagamentos de propina. Nela, o codinome “VIC” aparece associado a pagamentos mensais de R$ 20 mil.

Os investigadores cruzaram as anotações com dados bancários e identificaram transferências da BRA Teles Ltda., apontada como empresa de fachada ligada aos irmãos Alex e Fábio Rezende Parente, para a GMD Borba Distribuidora, registrada em nome de Gillaynny Marjorie Duarte Borba de Oliveira, mulher de Vicentinho.

Segundo a PF, os registros referentes a 2023 e 2024 permitiram associar R$ 260 mil em transferências da BRA Teles à empresa da mulher do parlamentar. Reportagem publicada em dezembro de 2025 já havia revelado os repasses e a conclusão dos investigadores de que o codinome “VIC” faria referência ao deputado.

A PF afirmou ter chegado a um “elevado grau de certeza” de que os valores registrados na planilha teriam sido direcionados a Vicentinho por intermédio da empresa da esposa.

Além dos R$ 260 mil provenientes da BRA Teles, a investigação identificou outros valores que elevariam para R$ 420 mil o montante registrado na planilha como supostamente destinado ao casal entre 2023 e 2024.