Aliados de Lula ajustam tom sobre ofensiva contra Flávio Bolsonaro
Aliados do presidente Lula divergem entre uma estratégia propositiva e postura mais bélica na disputa presidencial
13 de maio de 202600:01Paulo Cappelli e Lucas Gayoso
Lula e Flávio BolsonaroCrédito: Reprodução/ redes sociais
O PT já definiu que o principal eixo da campanha à reeleição será comparar os governos de Lula e Jair Bolsonaro. Contudo, nomes proeminentes da esquerda ainda avaliam qual deverá ser o tom adotado por Lula nos embates com o senador Flávio Bolsonaro (PL), com quem o presidente está tecnicamente empatado em diferentes pesquisas de intenção de voto.
Em conversa com a coluna, os líderes do governo no Congresso Nacional e no Senado, Randolfe Rodrigues (PT) e Jaques Wagner (PT), defendem que Lula baseie seu discurso nas comparações, fugindo de um tom mais agressivo.
Por outro lado, o deputado André Janones (Rede), atuante nas redes sociais, sustenta que o presidente deve "atacar antes de ser atacado". Nem tão para um lado e nem para outro, estão nomes como Benedita da Silva. Quadro histórico do PT, ela defende que Lula busque uma campanha propositiva, mas "bata forte" quando for estocado por Flávio Bolsonaro.
Abaixo, as visões de aliados estratégicos de Lula para a campanha presidencial deste ano:
Jaques Wagner
Senador Jaques Wagner (PT)Crédito: Partido dos Trabalhadores
Líder do governo, o senador Jaques Wagner (PT) adota um tom mais moderado ao tratar da estratégia de campanha e sinaliza resistência a uma escalada de ataques diretos contra adversários. Para ele, o foco deve estar na comparação entre gestões.
"Pessoalmente, acho que partir para uma campanha de ataques nunca é o caminho. Penso que temos que focar na comparação entre os governos de Lula e Bolsonaro. Há uma diferença grande entre essas duas gestões. Ressalto que essa é uma opinião minha, não uma antecipação daquilo que o presidente Lula fará ao longo da campanha".
André Janones
Janones chamou o ex-presidente de "bandido fujão".Crédito: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Muito atuante nas redes sociais, o deputado André Janones (Rede) defende uma linha mais agressiva e afirma que a campanha precisa partir para o confronto direto contra bolsonaristas. Na avaliação dele, é necessário "antecipar o embate" e dominar a narrativa.
"Temos que atacar, descer o cacete no lombo dos bolsonaristas e mostrar quem é de verdade Flávio Bolsonaro. Precisamos atacar e pautar o debate defendendo que Lula reviva o Lula do Velho testamento. Eles não podem pautar o debate. Precisamos atacar e não apenas esperar para contra-atacar".
Benedita da Silva
Benedita é cogitada para relatar o PL sobre abortoCrédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro e quadro histórico do PT, a deputada Benedita da Silva diz que Lula não tem como característica adotar um tom agressivo, mas sustenta que o presidente deve reagir com firmeza a ataques.
"O Lula não é de sair batendo, de sair atirando. É uma pessoa de responder no sentido coerente do debate. Lula será o Lula que sempre foi. Vai pontuar o que fez de bom. Acho difícil Flávio dizer o que fez de bom pelo Brasil. Ele não propõe, só bate. Defendo que, quando for necessário, Lula também bata, sobretudo quando for atacado com fake news".
Randolfe Rodrigues
Senador: diálogo possível com bolsonaristasCrédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT) segue linha semelhante à de Jaques Wagner e defende que a campanha foque nas comparações entre os governos Lula e Bolsonaro.
"A campanha tem que ser de comparação. Flávio é a continuação. É o Bolsonarinho. A inflação, quando eles deixaram o governo, estava em sete pontos. A diferença da taxa de desemprego é grande. Como eram as politicas de saúde? Como estavam os investimentos em segurança pública? Quais eram as agendas prioritárias do governo e quais são atualmente? Como o Brasil era visto no exterior?".
Guilherme Boulos
Integrante da coordenação da campanha de Lula, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PT), destaca que a principal estratégia adotada por governistas é reforçar a comparação entre as duas gestões, função que já tem exercido nas caravanas chamadas "Governo do Brasil na Rua".
Pessoalmente, contudo, Boulos tem criticado duramente Flávio Bolsonaro e chegou a dizer que o adversário "não tem biografia e, sim, capivara", numa referência ao jargão usado no meio policial para verificar se alguém tem ficha suja e antecedentes criminais.
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