Ministro Dario Durigan fala sobre as medidasCrédito: Cadu Gomes/VPR
Para o Palácio do Planalto, a intenção do governo norte-americano de impor novas sanções ao Brasil é muito ruim para o país, mas ótima para a campanha de reeleição do presidente Lula (PT).
Na avaliação do governo, a sincronia entre o anúncio de tarifaço feito pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) e o encontro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com Donald Trump depõe contra o principal pré-candidato da oposição à Presidência.
O Planalto comemorou o fato de ter incluído ameaças ao Pix na nota da semana passada em que condenou a decisão da Casa Branca de ter classificado como terroristas o PCC e o CV. Na prática, funcionou como um alerta.
Favorecidos
Para petistas, o USTR colocou Flávio Bolsonaro em uma situação delicada principalmente ao acusar o Pix de fazer concorrência desleal a empresas norte-americanas — as de cartões de crédito.
Ao condenarem o meio de pagamento criado pelo Banco Central, os norte-americanos favoreceram a posição de Lula entre pequenos empresários e autônomos, eleitores mais próximos do bolsonarismo.
Caiado contra medidas
Zema, Flávio e Caiado em Belo Horizonte (MG)Crédito: Divulgação
Apesar de não ter feito qualquer crítica à atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo norte-americano, Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD à Presidência, tratou de marcar posição contra medidas previstas pelos Estados Unidos.
Após se encontrar com os prováveis adversários do PL e Novo (Romeu Zema) em evento em Minas Gerais, o ex-governador de Goiás criticou a política externa de Lula, que segundo ele, trabalhou para romper o relacionamento com os EUA.
Patriota
Ressaltou que não se pode aceitar a taxação de produtos brasileiros e que, como presidente, iria reabrir o diálogo para impedir retaliações.
Caiado disse que procedem críticas a pontos como a corrupção no Brasil. Mas frisou ser brasileiro, patriota e defensor da soberania nacional. Soberania que, segundo ele, "está nas mãos do narcotráfico e da corrupção".
O Zap de Durigan
Integrantes da oposição trataram de lembrar que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ajudou, entre 2020 a 2023, a implantar no Brasil um concorrente do Pix, o WhatsApp Pay. Ele era diretor de políticas públicas da WhatsApp e negociou a implantação do mecanismo de pagamento.
Solução
Para o líder da Oposição no Senado, Carlos Portinho (PL), o documento do USTR complica o presidente Lula, não Flávio Bolsonaro. Alega que o petista é o chefe do Poder Executivo e, como tal, deveria ter evitado que a situação chegasse tal ponto. "Flávio é a solução, ele disse isso para o Trump", alega.
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A nova proposta de retaliação e, especialmente, a crítica ao Pix foram recebidas, porém, com preocupação na campanha de Flávio. Até porque vieram em seguida à operação da Polícia Civil de São Paulo contra uma ONG ligada à produtora do filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mal na foto
A situação ficou tão confusa que, entre bolsonaristas, há quem não tenha gostado da decisão de Trump de publicar, ontem, no rastro da repercussao da análise do USTR, fotos de sua reunião com Flávio Bolsonaro. Segundo o presidente norte-americano, o pré-candidato do PL é um "rapaz esperto" que ama seu país, o Brasil.
Pix sobe
As Estatísticas de Meios de Pagamentos publicadas pelo Banco Central ajudam a explicar a implicância dos Estados Unidos com o Pix. No segundo semestre de 2025, foram feitas por Pix 54,7% das transações de pagamento no país; 24,3% a mais em relação ao mesmo período do ano anterior.
Débito cai
As transações com cartões de crédito cresceram 9,4%, as com cartões de débito apresentaram leve queda, de 0,2%. O valor médio das transações com este tipo de cartão caiu 2,3%, o que indica ser um reflexo do Pix. As transações por este meio tiveram valor médio de R$ 456; as por cartão de crédito, R$ 138.
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