Correio da Manhã
CORREIO BASTIDORES

Efeitos de rótulo de terrorismo preocupam aliados do PL

Efeitos de rótulo de terrorismo preocupam aliados do PL
Flávio com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA Crédito: Instagram/@flaviobolsonaro

Há aliados de Flávio Bolsonaro preocupados com a possibilidade de o lobby bolsonarista junto ao governo norte-americano para colar no PCC e no CV o rótulo de terroristas possa se constituir num tiro no pé.

Isso, pela reação cautelosa manifestada internamente por setores empresariais, que, embora simpáticos ao pré-candidato do PL, veem na decisão da Casa Branca um risco para seus negócios.

Ao decretarem que o Brasil é sede de organizações terroristas com atuação internacional, Donald Trump coloca sob a mira da CIA e dos militares setores importantes da economia brasileira. Qualquer indício de colaboração com o PCC e o CV pode gerar muitos estragos.

 

Riscos ocultos

O caso da operação Carbono Oculto é exemplar: investigações indicam cumplicidade de setores do mercado financeiro com a lavagem do dinheiro obtido pelo PCC na comercialização de combustível falsificado.

Aponta para uma teia de parcerias que envolve instituições financeiras — fintechs — e fundos de investimentos com a organização criminosa. Uma associação que chegaria bem perto, por exemplo, do Banco Master.

Os alvos

Os alvos
O venezuelano Nicolás Maduro, preso nos EUA Crédito: Reprodução/Instagram

Com a decisão norte-americana, as consequências da investigação brasileira seriam mais amplas, poderiam comprometer a atividade, nos EUA, de bancos e empresas que desconheciam as ligações com o PCC.

Outro exemplo: uma distribuidora de energia que tenha feito um pacto de não agressão com traficantes de uma favela também ficará na mira da Casa Branca.

Para empresários, o caso da Venezuela reafirmou que não se pode isolar atitudes repressivas dos EUA com seus interesses estratégicos e comerciais, como no petróleo.

Consequências entre políticos

O pretexto de combate ao terrorismo tem potencial para complicar a vida de políticos, inclusive de ligados ao bolsonarismo, como Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio e suspeito de ligações com o CV. A eventual confirmação de vínculos, ainda que indiretos, do Master com o PCC respingaria até em casos como financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Versões

Há também expectativa para saber como a população receberá as versões em jogo: o bolsonarismo prega que o governo defende organizações terroristas; o Planalto fala em traição, em conspiração contra interesses brasileiros e em ameaças à soberania e ao PIX, odiado por cartões de crédito dos EUA.

Milícias

A nota do governo citou a "família Bolsonaro", acusada de defender "intervenção estrangeira" no Brasil e dá uma cutucada ao incluir as milícias entre organizações criminosas — há suspeitas de ligações do clã com integrantes desses grupos. No Rio, fronteiras entre milícias e tráfico ficaram tênues.

Acusação

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) crava: "A máscaraa caiu. Lula defende terroristas." Para ele, só há dois lados: "Quem apoia bandido e quem quer libertar o país. Queremos Liberdade, Ordem e progresso!". Para o senador, "quem quer bandido que os defenda e (com eles) morra abraçado", escreveu à coluna.

Percentuais

Com base em pesquisa Quaest de novembro, Portinho citou que, para 73% da população, organizações criminosas deveriam ser consideradas terroristas. Mas, segundo o mesmo levantamento, 50% discordaram da possibilidade de o Brasil pedir ajuda aos EUA para combater o tráfico no Rio (45% concordaram).

Candidatos

Portinho está em campanha para herdar a vaga que seria do ex-governador Cláudio Castro, que, embora inelegível, queria disputar o Senado. Como o Correio Bastidores registrou, seus adversários são os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy — a decisão será do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pesquisa

A reação da população começou a ser testada em pesquisa do Instituto Vox Brasil e que deverá ser divulgada na sexta. Uma pergunta é sobre a avaliação — positiva ou negativa — do encontro de Flávio com Trump. Também haverá questionamento sobre a aprovação, pela Câmara, do fim da escala seis por um.