Efeitos de rótulo de terrorismo preocupam aliados do PL
01 de junho de 202600:03POR
FERNANDO MOLICA
Flávio com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUACrédito: Instagram/@flaviobolsonaro
Há aliados de Flávio Bolsonaro preocupados com a possibilidade de o lobby bolsonarista junto ao governo norte-americano para colar no PCC e no CV o rótulo de terroristas possa se constituir num tiro no pé.
Isso, pela reação cautelosa manifestada internamente por setores empresariais, que, embora simpáticos ao pré-candidato do PL, veem na decisão da Casa Branca um risco para seus negócios.
Ao decretarem que o Brasil é sede de organizações terroristas com atuação internacional, Donald Trump coloca sob a mira da CIA e dos militares setores importantes da economia brasileira. Qualquer indício de colaboração com o PCC e o CV pode gerar muitos estragos.
Riscos ocultos
O caso da operação Carbono Oculto é exemplar: investigações indicam cumplicidade de setores do mercado financeiro com a lavagem do dinheiro obtido pelo PCC na comercialização de combustível falsificado.
Aponta para uma teia de parcerias que envolve instituições financeiras — fintechs — e fundos de investimentos com a organização criminosa. Uma associação que chegaria bem perto, por exemplo, do Banco Master.
Os alvos
O venezuelano Nicolás Maduro, preso nos EUACrédito: Reprodução/Instagram
Com a decisão norte-americana, as consequências da investigação brasileira seriam mais amplas, poderiam comprometer a atividade, nos EUA, de bancos e empresas que desconheciam as ligações com o PCC.
Outro exemplo: uma distribuidora de energia que tenha feito um pacto de não agressão com traficantes de uma favela também ficará na mira da Casa Branca.
Para empresários, o caso da Venezuela reafirmou que não se pode isolar atitudes repressivas dos EUA com seus interesses estratégicos e comerciais, como no petróleo.
Consequências entre políticos
O pretexto de combate ao terrorismo tem potencial para complicar a vida de políticos, inclusive de ligados ao bolsonarismo, como Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio e suspeito de ligações com o CV. A eventual confirmação de vínculos, ainda que indiretos, do Master com o PCC respingaria até em casos como financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
Versões
Há também expectativa para saber como a população receberá as versões em jogo: o bolsonarismo prega que o governo defende organizações terroristas; o Planalto fala em traição, em conspiração contra interesses brasileiros e em ameaças à soberania e ao PIX, odiado por cartões de crédito dos EUA.
Milícias
A nota do governo citou a "família Bolsonaro", acusada de defender "intervenção estrangeira" no Brasil e dá uma cutucada ao incluir as milícias entre organizações criminosas — há suspeitas de ligações do clã com integrantes desses grupos. No Rio, fronteiras entre milícias e tráfico ficaram tênues.
Acusação
Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) crava: "A máscaraa caiu. Lula defende terroristas." Para ele, só há dois lados: "Quem apoia bandido e quem quer libertar o país. Queremos Liberdade, Ordem e progresso!". Para o senador, "quem quer bandido que os defenda e (com eles) morra abraçado", escreveu à coluna.
Percentuais
Com base em pesquisa Quaest de novembro, Portinho citou que, para 73% da população, organizações criminosas deveriam ser consideradas terroristas. Mas, segundo o mesmo levantamento, 50% discordaram da possibilidade de o Brasil pedir ajuda aos EUA para combater o tráfico no Rio (45% concordaram).
Candidatos
Portinho está em campanha para herdar a vaga que seria do ex-governador Cláudio Castro, que, embora inelegível, queria disputar o Senado. Como o Correio Bastidores registrou, seus adversários são os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy — a decisão será do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Pesquisa
A reação da população começou a ser testada em pesquisa do Instituto Vox Brasil e que deverá ser divulgada na sexta. Uma pergunta é sobre a avaliação — positiva ou negativa — do encontro de Flávio com Trump. Também haverá questionamento sobre a aprovação, pela Câmara, do fim da escala seis por um.
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