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Sem apoio de empresários, Lula apostou no fim da 6 X 1

Sem apoio de empresários, Lula apostou no fim da 6 X 1
Presidente decidiu comprar a briga Crédito: Agência Brasil

O pragmatismo venceu o medo. A certeza de que não teria o apoio do empresariado na disputa eleitoral fez com que o governo decidisse embarcar de cabeça na aprovação da proposta de fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga.

Na avaliação do Palácio do Planalto, mesmo que fizesse concessões importantes relacionadas ao projeto, o presidente Lula (PT) continuaria a ser preterido pelo mercado financeiro e por empresários da indústria, comércio e agricultura — todos afinados com propostas conservadoras, mesmo que representadas pelo bolsonarismo. Diante da constatação, o governo decidiu se empenhar para que a mudança fosse efetivada.

 

Sinuca para Flávio

Para petistas, a redução da jornada tem também potencial para criar outro constrangimento para o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro (RJ).

A dúvida é saber se ele vai assumir o ônus de ser contra a proposta. Seu coordenador de campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN) voltou a atacar a mudança, que chama de irresponsável. Vale lembrar: Jair Bolsonaro já foi contra o Bolsa Família; depois, mudou de ideia.

Cláudio sai, e abre disputa

Cláudio sai, e abre disputa
Segundo o líder do PL, decisão foi por acordo Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

A decisão do ex-governador Cláudio Castro de desistir de tentar autorização judicial para ser candidato ao Senado pelo Estado do Rio escancarou a briga no PL.

O senador Carlos Portinho, que seria o candidato natural à vaga, foi descartado no processo de formação da chapa majoritária e tentará se eleger deputado federal.

As apostas se concentram nos deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante. A possibilidade de Flávio Bolsonaro impor a mãe, Rogéria Nantes diminuiu depois que surgiram suas conversas com Daniel Vorcaro.

Ironia

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) ironizou a desistência de Castro, formalizada em vídeo publicado em redes sociais: "Pergunta sincera: como chama candidato inelegível que desiste da candidatura?", questionou.

Em março, um dia depois de renunciar ao governo, ele foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas, mesmo assim, tinha mantido a candidatura.

Jogo de Vorcaro

O deputado estadual Luiz Paulo Côrrea da Rocha (PSD) disse à coluna que não sabia da tentativa de Vorcaro de tentar impedir o prosseguimento de suas denúncias, iniciadas em 2024, sobre compra de papéis do Master pelo Rioprevidência, fundo de aposentadoria pensões do Estado do Rio.

Kassab ignorou

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro acionou um amigo para pressionar o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Este negou que tenha tomado qualquer atitude, o que foi confirmado por Côrrea da Rocha. O deputado, agora, diz estar preocupado com o futuro do Rioprevidência.

Buraco

Segundo a Polícia Federal, o fundo investiu R$ 3,7 bilhões em papéis do Master e em corretoras ligadas ao banco. "É muito dinheiro", ressalta. Ele lembra que o Rioprevidência é mantido, principalmente, pelos royalties do petróleo. Se faltar grana, o tesouro estadual é obrigado a bancar os pagamentos.

Limites

No vídeo em que anunciou a desistência de tentar ser candidato, Castro deu a entender que atribuirá à direção do Rioprevidência a responsabilidade pelos investimentos. Disse que mostrará "até onde vão os limites da atuação do governador". A PF revelou que ele recebeu favores de Vorcaro, como jantares e viagens.

Big stick

O PT não mais dúvidas: ao anunciar que passará considerar como terroristas o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, o governo norte-americano entrou de vez na campanha eleitoral brasileira. Esta semana, Flávio Bolsonaro disse que pediria a Donald Trump para decretar a medida.

Isca

Surpreendido, o governo pretende investir no sentimento nacionalista para rebater a iniciativa do pré-candidato do PL. A medida da Casa Branca permite, no limite, o envio de soldados dos Estados Unidos no Brasil. O problema do Planalto é não morder a isca e parecer que defende organizações criminosas.