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BRASILIANAS | Grupo que adminstra a Rodoviária do Plano Piloto entra na disputa pelo Aeroporto JK

Grupo RZK, empresa ligada à concessionária Catedral, aparece entre os interessados no novo leilão do principal terminal aéreo do Centro-Oeste e pode ampliar sua presença na infraestrutura de mobilidade de Brasília

BRASILIANAS | Grupo que adminstra a Rodoviária do Plano Piloto entra na disputa pelo Aeroporto JK
A RZK Concessões é um dos 5 grupos na disputa do Aeroporto JK Crédito: Reprodução/Blog Brasilia

A concorrência que definirá o futuro gestor do Aeroporto Internacional de Brasília ganhou um ingrediente tipicamente brasiliense. Entre os grupos que participaram do roadshow promovido pelo governo federal para apresentar as condições do novo leilão está a RZK Concessões, empresa que já possui presença relevante na capital por meio da sociedade que controla a concessionária Catedral, responsável pela administração da Rodoviária do Plano Piloto.

A informação chamou atenção no mercado porque o grupo não é conhecido pela operação de aeroportos, mas por sua atuação em concessões urbanas ligadas à mobilidade, exploração comercial de espaços públicos e revitalização de terminais de transporte.

Caso avance na disputa, a empresa poderá reunir em seu portfólio os dois equipamentos de mobilidade mais emblemáticos de Brasília: a Rodoviária do Plano Piloto e o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek.

O interesse foi formalmente demonstrado durante o roadshow realizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pela Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

O leilão está marcado para 17 de dezembro e escolherá não apenas o novo operador do Aeroporto JK, mas também o gestor de outros dez aeroportos regionais incluídos no mesmo pacote de concessão.

Além da RZK, participaram das apresentações representantes da Zurich Airport, considerada a operadora aeroportuária mais experiente entre os interessados identificados até agora, do Banco Bradesco BBI, da empresa de engenharia Infraway e da TIM Brasil.

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A Rodoviária do Plano Piloto está sob gestão da Catedral desde junho de 2026 | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

A participação da RZK se destaca justamente por sua trajetória fora do setor aeroportuário. Em Brasília, o grupo ganhou notoriedade após ingressar na concessão da Rodoviária do Plano Piloto por meio da Catedral.

Em São Paulo, sua atuação está concentrada na exploração e revitalização de espaços comerciais em estações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), além da gestão de áreas de circulação de passageiros associadas ao transporte de massa.

A eventual entrada no mercado aeroportuário representaria um salto de escala para a empresa. O futuro concessionário do Aeroporto JK assumirá a administração do principal terminal aéreo do Centro-Oeste, um dos maiores hubs de conexão do país, além de um programa de investimentos estimado em aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

Da Rodoviária ao aeroporto

O possível avanço da RZK sobre o Aeroporto JK resgata uma declaração que marcou o início da concessão da Rodoviária do Plano Piloto.

Ao assumir oficialmente a gestão do terminal, em junho de 2025, o diretor da Catedral, Enrico Capecci, apresentou a visão da empresa para o equipamento e resumiu a proposta em uma frase que repercutiu nos meios político e empresarial da capital:

"Vamos transformar a Rodoviária num aeroporto."

Na ocasião, a comparação servia para ilustrar o padrão de serviços, limpeza, organização, segurança e experiência do usuário que a nova concessionária pretendia implantar no principal terminal rodoviário do Distrito Federal.

Passado pouco mais de um ano, a frase ganha nova dimensão. Um dos grupos ligados à administração da Rodoviária agora aparece entre os interessados em disputar justamente a gestão de um aeroporto de verdade.

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Enrico Capecci, diretor da Catedral, empresa administra a Rodoviária do Plano Piloto | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Embora ainda seja cedo para apontar favoritos, a presença da RZK entre os participantes do roadshow sinaliza que a companhia avalia seriamente sua entrada em um novo segmento de infraestrutura de transporte.

Um leilão cercado de expectativas

A relicitação do Aeroporto JK ocorre após anos de discussões envolvendo a atual concessionária, a Inframérica. O processo foi construído depois que a empresa alegou desequilíbrios econômicos e dificuldades para cumprir as projeções estabelecidas no contrato firmado em 2012.

O modelo aprovado pelo Tribunal de Contas da União prevê condições diferenciadas para atrair investidores. Ao contrário de concessões tradicionais, não haverá pagamento imediato à União nem desembolsos anuais nos primeiros cinco anos de operação. A primeira remuneração ao poder público ocorrerá apenas em 2031, com base nas receitas obtidas em 2030.

Além da gestão do terminal brasiliense, o vencedor assumirá um conjunto de aeroportos regionais localizados principalmente no Centro-Oeste.

O que a nova concessionária terá de entregar

O plano de investimentos exigido para o novo operador é amplo e inclui a ampliação do terminal internacional de passageiros, novas pontes de embarque, expansão de áreas operacionais, construção de um edifício-garagem e melhorias viárias.

Entre as intervenções previstas está também um novo acesso rodoviário ligando o aeroporto ao Lago Sul por meio da região da Base Aérea de Brasília, uma demanda antiga de usuários e do setor produtivo.

O pacote contempla ainda melhorias em áreas de embarque doméstico, expansão de pátios para aeronaves, aquisição de equipamentos de segurança e modernização da infraestrutura aeroportuária.

Mas, ao menos para Brasília, um dos aspectos mais curiosos da disputa está fora das pistas e dos hangares. Se a RZK avançar no processo, a empresa que prometeu transformar a Rodoviária do Plano Piloto em um aeroporto poderá acabar administrando também o principal aeroporto da capital federal.