Mais de 150 mil veículos cruzam diariamente a Ponte JK. Poucas estruturas viárias do Distrito Federal têm impacto tão direto sobre a rotina da população. Por isso, a entrada em operação das faixas reversíveis na principal ligação entre o vetor leste e o Plano Piloto chega cercada de expectativa, pressão e inevitáveis reflexos políticos.
A mudança começou a valer nesta quarta-feira (21), apenas cinco dias antes da eleição para governador, marcada para domingo, quando a governadora Celina Leão (PP) tenta a reeleição, em disputa com o candidato Leandro Grass, do PT.
O anúncio oficial da medida foi feito na segunda-feira. Dois dias depois, os motoristas já passaram a conviver com uma nova configuração de tráfego em uma das regiões mais congestionadas da capital.
O intervalo curto entre o anúncio e a implementação transformou a iniciativa em um dos assuntos mais comentados entre moradores do Jardim Botânico, São Sebastião, Jardins Mangueiral e demais áreas que dependem diariamente da Ponte JK para acessar o Plano Piloto.
Como será a reversão
A operação funcionará de segunda a sexta-feira, das 6h às 9h da manhã. Nesse período, cinco faixas ficam disponíveis para quem segue em direção ao Plano Piloto. São três faixas no sentido habitual e duas utilizadas em contrafluxo.
Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF), a expectativa é aumentar em mais de 50% a capacidade de circulação durante o horário de pico.
A medida atende a uma reivindicação antiga de moradores da região. Entidades comunitárias defendem há anos a adoção de soluções capazes de reduzir o tempo perdido nos congestionamentos matinais.
GDF estima que os usuários possam economizar até 20 minutos por deslocamento
O momento da implementação, entretanto, chama atenção. Diferentemente de obras estruturantes, cujos resultados levam semanas ou meses para serem percebidos, a faixa reversível produz uma avaliação quase instantânea.
Em poucos dias os usuários conseguirão medir se a promessa de maior fluidez se confirma ou se os gargalos acabam transferidos para outros pontos do percurso.
Também há cobranças sobre aquilo que ficou de fora da iniciativa. O novo sistema atende exclusivamente quem segue para o Plano Piloto durante a manhã. O congestionamento no sentido contrário, enfrentado diariamente por quem retorna ao Jardim Botânico, ao Lago Sul e a São Sebastião no fim da tarde, permanece sem solução anunciada.
A questão já domina debates em grupos comunitários e redes sociais, onde moradores defendem a criação de um modelo semelhante para o horário de volta para casa.
Por isso, a operação que começa nesta semana extrapola a engenharia de tráfego. Ela representa ao mesmo tempo um teste de mobilidade, uma resposta a uma reivindicação histórica e uma entrega pública colocada em prática nos últimos dias antes de uma eleição.
Intervenção exigiu adaptações viárias, sinalização especial e atuação conjunta de três órgãos do GDF
A operação de faixas reversíveis que passa a funcionar na Ponte JK não foi construída apenas sobre uma decisão administrativa. Para permitir que mais de 150 mil veículos que utilizam diariamente o corredor possam circular em um esquema inédito de contrafluxo, o Governo do Distrito Federal precisou promover uma série de intervenções físicas e operacionais ao longo das últimas semanas.
Embora a confirmação oficial da medida tenha ocorrido apenas nesta semana, equipes técnicas vinham trabalhando desde o início de outubro na preparação da infraestrutura necessária para viabilizar a mudança.
O desafio era permitir que veículos utilizassem temporariamente faixas originalmente destinadas ao sentido contrário sem comprometer a segurança da operação.
Entre os serviços realizados estão a abertura de novos cruzamentos no canteiro central, adequações geométricas nos acessos, instalação de sinalização específica e implantação de mecanismos de controle para orientar os condutores durante os períodos de contrafluxo.
O objetivo foi criar uma infraestrutura capaz de suportar o aumento do volume de veículos em direção ao Plano Piloto durante o período mais crítico da manhã.
O sistema foi dividido em áreas distintas de atuação. O DER-DF ficará responsável pelo monitoramento do trecho compreendido entre a Estrada Parque Contorno (DF-001) e a Estrada Parque Dom Bosco (DF-025). O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) coordenará a circulação sobre a Ponte JK. Já o Batalhão de Policiamento Rodoviário da Polícia Militar do Distrito Federal acompanhará a dispersão do tráfego na chegada próxima à L4 Sul.
A operação prevê cinco faixas direcionadas ao Plano Piloto entre 6h e 9h. Dessas, três permanecem no sentido tradicional e duas passam a operar temporariamente em contrafluxo. A expectativa oficial é ampliar em mais de 50% a capacidade de circulação no período.
O caráter experimental do projeto também é um dos pontos-chave da iniciativa. Técnicos acompanharão diariamente o comportamento do tráfego para medir ganhos de velocidade, formação de filas, impactos sobre os acessos e eventuais pontos de retenção que possam surgir fora da área diretamente atendida pela reversão.
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