A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), decidiu assumir diretamente a articulação para tentar impedir a participação eleitoral do ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que se movimenta como pré-candidato ao Palácio do Buriti.
Na terça-feira (12 de maio), às 16h15, Celina foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para uma reunião com o ministro Cristiano Zanin, em meio à tramitação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7881), que discute a flexibilização da Lei da Ficha Limpa.
O julgamento da ADI, sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, relatora da ação, está previsto para ocorrer entre 22 e 29 de maio e pode redesenhar o tabuleiro eleitoral do DF.
A governadora não foi sozinha. Estiveram com ela o advogado Gustavo Rocha, ex-chefe da Casa Civil do GDF (e amigo de Zanin) - e indicado para ser o vice, na chapa de Celina -, e Kaline Gonzaga, diretora da Terracap e figura de confiança do ex-governador Ibaneis Rocha — de quem foi chefe de gabinete no início da gestão. A composição da comitiva e o tema da agenda (que acabou por se tornar pública) chamou atenção no STF e no próprio governo local.
Segundo interlocutores, a visita tinha (e teve) como objetivo influenciar o ambiente em torno da ADI que pode definir se políticos condenados por improbidade — como Arruda — poderão disputar as eleições de 2026. A flexibilização aprovada pelo Congresso abriu caminho para o retorno de nomes como Anthony Garotinho, Eduardo Cunha e o próprio Arruda.
Zanin chegou ao STF por indicação do presidente Lula, de quem foi advogado pessoal. Lula sancionou a lei questionada, com alguns vetos, mas manteve a essência da proposta aprovada no Congresso.
Agenda foi modificada, sob pressão
"Brasilianas" apurou que a movimentação gerou incômodo. A agenda oficial de Zanin (um dos poucos ministros do STF que dão publicidade à íntegra de sua agenda) inicialmente registrou que o encontro trataria da ADI da Ficha Limpa (ADI 7881).
Após a repercussão interna (negativa) no GDF - que ecoou e chegou também até o STF -, o registro foi alterado: saiu a ADI e entrou a Suspensão de Liminar (SL) 1909. A coluna apurou também que a alteração da agenda foi feita pelos auxiliares do ministro do Supremo "a contra-gosto".
A SL 1909 é o processo em que o GDF pede autorização para vender imóveis públicos e usar áreas como garantia no plano de socorro financeiro ao Banco de Brasília (BRB). Ocorre que essa pauta perdeu objeto desde que a própria Celina retirou (por lei) da lista de alienações a área ambiental da Serrinha do Paranoá — justamente o ponto em discussão no STF.
Nos bastidores do GDF, a mudança na agenda foi interpretada como uma tentativa de reduzir a exposição explícita da pressão política sobre o ministro. "Brasilianas" sustenta que o tema da reunião, no entanto, continou o mesmo: a busca pela inelegibilidade de Arruda.